Perfil

Nome: Fillipe Martins de Souza Freitas

Idade: 23

Signo: Peixes

Yes: Loiras, futebol, rock’n roll, ler, cinema, teatro, política, economia, ciência, história, aviões, viajar, acampar, praia, fazenda, cachorros, sorvete, pão de queijo, doces, sucos, vitaminas, vinho e culinária estrangeira.

Email: fillipefreitas@yahoo.com.br


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Domingo, Outubro 28, 2007

A voracidade dos países ricos em angariar mercados e assim manter suas respectivas balanças comerciais no verde - e diga-se de passagem, muitíssimo verde - tem atrapalhado sobremaneira os classificados países em desenvolvimento.
No Brasil a crítica foi pesada acerca da não aceitação da ALCA, porém o que hoje se observa é que a postura não foi de todo nociva aos interesses nacionais, uma vez que os norte americanos quebrariam a banca em alguns setores do país e, por outro lado, as vantagens nas relações obtidas pelo Brasil não valeriam o sacrifício.
Talvez a saída seja mesmo a celebração dos acordos bilaterais, segundo os moldes chilenos, que aos pouco vem conquistando importantes parceiros comerciais sem expor o mercado interno. Nós brasileiros estamos caminhando devagar, sendo notório que a morosa burocracia e a politicagem barata praticada, ao invés de política, tem atravancado maiores progressos.
Vale consignar que os atos infelizes de alguns nobres senadores e deputados maculam a seriedade das instituições já que, CPI após CPI, pouco tempo sobra para a votação de projetos importantes. Ainda mais se lembrarmos que a segunda feira é morta para Vossas Excelências.
Nada está fácil e dificilmente ficará, mas devemos aproveitar o fato de sermos um país de grande extensão territorial e abundante em riquezas, com um povo alegre, batalhador, honrado e gentil. Já somos referência para muitas coisas boas, mas algo na engrenagem precisa ser expurgado.
O voto é um mecanismo precioso nessa tarefa, mas de nada adianta votar e ficar inerte, aguardando que tudo saia bem com jeitinho. É na surdina que mora o perigo e em silêncio é que ele age.


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Segunda-feira, Outubro 01, 2007

Em poucos anos a humanidade se lembrará de nós como os loucos que terminaram de vez com o equilíbrio do planeta. Também se lembrarão dos nossos antecessores como os porcos que achavam que a lavagem nunca acabaria, ou no mínimo, que levaria muito tempo para acabar e que, portanto, qualquer preocupação era besteira.
Uma profecia nesse tom não é impossível de ser encontrada por aí.
O que foi feito e aquilo que se faz atualmente no sentido de preservação do planeta é válido, no entanto é inegável que os humanos, meros animais dotados de racionalidade, começaram tarde. Só nos demos conta do jogo de risco ao sentir frio no verão e calor no inverno, encontrar chuvas e tempestades fora de época, constatar um sem número de sinistros e tornados e ver ondas gigantes varrendo regiões litorâneas.
Cada vez é mais difícil adequar o crescimento com a preservação e, apesar de muito se falar em desenvolvimento sustentável, a verdade é que o ritmo de destruição supera o de reflorestamento e as tentativas de minimizar os impactos ambientais. Os sinais de colapso são evidentes e a vida na Terra, ao menos nos moldes atuais, tem prazo de validade.
Não se pode mais viver com a medíocre mentalidade de apenas se preocupar em apertar o interruptor e obter luz ou girar a torneira e usar água, muito menos aceitar o argumento de que por estar pagando pode-se desperdiçar o quanto quiser. Também não se pode derrubar árvores porque há muitas outras de pé ou atear fogo em quaisquer materiais por ser o meio mais cômodo de se livrar dos mesmos. Basta dessa ignorância.
A poluição dos recursos hídricos, a disposição final de esgoto doméstico e dos resíduos industriais devem passar a ser uma preocupação cotidiana, assim como o horário de se entrar no serviço ou de levar as crianças para a escola. É complicado tratar do tema, mas enquanto isso espécies da fauna nativa são ameaçadas de extinção, a mineração em leitos de curso d’água rola solta e carvoarias clandestinas continuam existindo nesse Brasil adentro, inclusive com mão de obra-de-obra infantil.
Passe o esporro adiante e o slogan - Wake up and do something. Something now!


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Sábado, Setembro 08, 2007

O IBGE projeta que em 2050 o Brasil terá quase 260 milhões de habitantes, com aumento significativo do número de idosos, sendo mais de 13,7 milhões de pessoas com idade superior a oitenta anos.
O tratamento dirigido às pessoas de terceira idade se tornou motivo de real preocupação dado o tamanho número de casos noticiando violência e maus tratos, inclusive no âmbito familiar, onde menos se esperava que atitudes assim pudessem acontecer.
A cautela no trato com os idosos deve ser enorme, visto que se encontram na fase em que mais se precisa de atenção e cuidados especiais. No entanto, não são raras as vezes em que os velhinhos são espancados, humilhados, abandonados pela família e deixados em asilos.
O problema tem sua gênese na educação, ou melhor, na falta ou insuficiência desta.
Ora, um ambiente desestruturado tende a permanecer desestruturado se as pessoas não procurarem crescer como indivíduos, sendo certo que as mazelas anteriores são de difíceis correções caso inexista progresso quanto ao amor pelo próximo. Aliás, o próximo mais próximo é próprio parente.
Preconiza a Lei n.º 10.741 de 1º de outubro de 2003, denominada Estatuto do Idoso, em seu artigo 3º, que é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
Cuidar dos avós ou outros idosos é uma atitude no mínimo bela. Trata-se de uma obrigação moral que carrega um conteúdo enorme de respeito, reverência e gratidão, não só pela sabedoria, experiência de vida e ensinamentos que os idosos podem repassar, mas principalmente porque as gerações atuais são vinculadas àqueles na árvore genealógica de cada família.
A propósito, o Estatuto dispõe que o envelhecimento é um direito personalíssimo e a sua proteção um direito social. Assim, se a morte não bater às portas muito cedo, a velhice é destino certo para o jovem de hoje. Se o trato com os idosos não melhorar substancialmente, seja na prioridade de atendimento para evitar as filas intermináveis, seja nos bancos de ônibus lotados, ou na correria para receber socorro em hospitais ou quanto à impaciência e intolerância voltadas aos problemas domésticos involuntariamente causados por Alzheimer ou qualquer outra enfermidade, já diz a sabedoria popular que aqui se faz, aqui se paga.



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Terça-feira, Agosto 14, 2007

O medo afeta todos os indivíduos de maneira peculiar. Há quem tenha medo de insetos, de animais ferozes, de volante, de altura, de fogo, de voar e até mesmo medo de si mesmo.
Dos piores, o medo de viver ganha disparado.
Não há como evitar as dificuldades da vida, apenas podemos minimizá-las quando possível. Também não há como fugir do convívio social, mas podemos exercer nosso direito de reserva. No entanto, certo é que a solidão em dosagem inadequada pode ser demais para cérebros fragilizados.
No Japão, por exemplo, bastante elevado é o índice de suicídios entre jovens, por diversas causas, e a solidão está entre elas. Isso porque são demasiadamente pressionados, cobrados, implicando equivocadamente em alguns casos numa sensação de exclusão e apatia, apesar do grande número populacional e dos avanços tecnológicos invejados muitas vezes por jovens estrangeiros.
Outro exemplo pode ser os Estados Unidos da América, país que periodicamente tem trazido ao mundo cenas de terror em virtude de assassinatos em escolas, preferencialmente com grande número de vítimas, numa espécie de competição entre serial killers, o que gera enorme perplexidade.
O que há de errado afinal? Essa é a questão. Seria o tal medo de viver e encarar as agruras que leva indivíduos à prática de atos como se enforcar em um parque ou aplicar head shots em professores e colegas de classe?
As diferenças culturais são fortes é verdade, mas não se tem notícias do tipo no Brasil e em outros países cuja riqueza nem se aproxima da décima parte do PIB de países desenvolvidos. Percebe-se que conforto e farto acesso ao consumismo desenfreado não são capazes de tranqüilizar o ego humano. Outra prova é a suposta infelicidade alegada por ricos e milionários, o que soa como piada mas tem lá seu fundo de verdade.
O dinheiro é o pano de fundo de tudo no final das contas, seja para o bem, seja para o mal.
Dizem que a psicologia tudo explica, apesar do livre arbítrio estar livre de teses. Apenas digo que devemos viver da melhor maneira possível, sem prejudicar os outros e sem dar tanta importância para aquilo que pensam de nós.


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Sábado, Junho 16, 2007

A seleção brasileira perdeu bastante seu brilho na última Copa do Mundo realizada na Alemanha. Isso é fato.
O que não se fala é que o futebol internacional está praticamente nivelado, ou seja, não há mais pedestal para o Brasil. Os jogadores não podem se basear no passado e achar que ao vestir a amarelinha o adversário irá tremer e jogar mal. Lógico que o enorme respeito existe e nunca sumirá, pois nossos craques são referência em diversos países, mas seleção é conjunto forte e competente, não um mero somatório de talentos individuais capaz de milagres independentemente do confronto.
Enfim, não se deve mais aguardar que amistos signifiquem goleadas e nem que onde estivermos a taça será quase nossa.
O nível está bastante elevado e o brasileiro deve reaprender a torcer. Parar com essa besteira de torcer só quando vai ter jogo e exigir a vitória numa espécie de alienação coletiva, tentando compensar com a vitória da seleção as mazelas sociais e insatisfações pessoais.
A confiança deve voltar com certeza e a Copa América nos ensinará a ser menos hipócritas e mais realistas.



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Quarta-feira, Março 21, 2007

Balas de borracha machucam tanto quanto uma pedrada e mesmo assim a passagem de Bush pelo Brasil trouxe voluntários às ruas para servirem de alvo. Aliás não só aqui, como nos vizinhos latinos.
Contrariamente à maioria, não vi com maus olhos a vinda do presidente norte-americano, pois se o Brasil pretende ocupar lugar de efetivo destaque no mundo, não somente pelo tamanho de seu território, mas sim política e economicamente, o caminho é a aproximação dos grandes. Claro que a tentativa de ser o ¿guia do terceiro mundo¿ é bacana, porém México e Índia crescem muito mais sem se preocupar com isso.
Embora a visita tenha sido simbólica, a verdade é que o etanol em muito interessa aos americanos. Estamos abrindo uma porta de grande importância, a qual poderá render consideráveis divisas ao país, principalmente agora que o assunto preservação do planeta está em voga, após tantas décadas de descaso ou atenção mínima por parte dos blocos desenvolvidos.
O berço esplêndido está balançando. Sinal que o Brasil está querendo deixar de ficar deitado eternamente.



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Quinta-feira, Janeiro 18, 2007

Um tema delicado e que sempre gera certa polêmica quando levantado é a questão da pena de morte. Em vigor em alguns países como Estados Unidos, China, Afeganistão e Indonésia, o sistema encontra defensores e opositores inflamados, mas existe grande parcela de indiferentes. Inevitavelmente as complicações morais e os direitos humanos são invocados por ambos os lados. No entanto, não é difícil adotarmos um posicionamento.
O livre arbítrio possibilita a cada ser humano agir como bem entender, estando na maioria das vezes ciente das conseqüências de seus atos. Os delitos e os danos decorrentes à coletividade podem ser de diversas formas, pois a gravidade é variável. O autor será tratado pela Justiça sob esse prisma, oportunidade em que todos os elementos são analisados, desde suas condições pessoais às razões do crime, o modo como se deu e sua repercussão social.
Assim, apesar de um assaltante contumaz ser criminoso tanto quanto o assassino de uma família, as penas em cada caso terão severidade distintas. Caso contrário o sistema penal seria leviano.
Ocorre que vivemos hoje uma situação estranha, pois a chance de impunidade é grande e acaba sendo encarada como elemento desinibidor para os bandidos. Portanto, antes de tratarmos da intensidade da pena, é preciso torná-la real e certa, pois somente assim cumprirá sua finalidade de retribuir uma punição ao delinqüente, promover sua readaptação social e também prevenir transgressões futuras pela intimidação dirigida aos demais membros da sociedade.
Não sou favorável à pena de morte em nenhuma circunstância, mas não posso dizer o mesmo em relação à prisão duradoura, que dependendo do caso será perpétua para o indivíduo. Ora, tirar a vida de um ser humano não é direito de ninguém; não importa se o infeliz causou inúmeras desgraças e ceifou vidas. O mais adequado é ferir o condenado o máximo possível, tirando anos e anos de sua liberdade, compensados com educação e trabalho, até que saia bem mansinho e realmente reabilitado do sistema carcerário. Parece belo na teoria, o difícil é colocar em prática, mas as coisas não vão bem e as prisões se tornaram escolas de criminalidade. Aliás, não é segredo que bandidos atuam seguindo ordens de chefes presos.
Nossa Constituição veda as penas de morte (salvo em casos de guerra declarada, nos termos do art.84, XIX), de caráter perpétuo, de trabalhos forçados, de banimento e as cruéis. O Código Penal, em seu art.75, determina que o tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a trinta anos. Os parágrafos seguintes explicam a situação de unificação das penas, mas vamos nos ater aos trinta anos.
As penas em nossa legislação não são ruins, mas esse limite deveria ser revisto. Se a pena de morte não pode ser aplicada, nem a prisão perpétua, a extensão para uns quarenta ou cinqüenta anos não seria inviável. Todo um tratamento especial seria dispensado para determinar as situações em que o critério seria levado a efeito.
Enfim, retirar a vida alheia é um absurdo e dependendo do caso seu efeito é bastante nocivo. Muitos criticaram o enforcamento de Saddam, posto que a conotação foi transformá-lo em mártir, homem de pulso que enfrentou a máquina de guerra americana. Trazendo o exemplo para o Brasil, a morte de um criminoso poderia soar da mesma maneira. A morte poderia ser vista como um conforto para o bandido e solução rápida para o Estado, mas este estaria manchando suas mãos de sangue ao invés de proteger a sociedade na essência.
A pena capital é definida na wikipedia como uma sentença legalmente aplicada pelo Poder Judiciário consistente na retirada da vida do culpado por um crime considerado pelo Estado como suficientemente grave e justo de ser punido com a morte.
Não é bem por aí. A vida sem liberdade é que pode ser considerada suficientemente grave ao mal causado.
Aliás, o mundo precisa mesmo é de Deus.



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Terça-feira, Dezembro 12, 2006

O mundo é palco de inúmeros eventos que atingem diretamente boa parte da população e, indiretamente, a sua totalidade. Não é preciso recorrer às duas grandes guerras, nem à corrida armamentista entre EUA e URSS. Basta indicarmos pontos que geram instabilidade entre alguns Estados e facilmente notaremos os tentáculos que envolvem as latitudes e longitudes.
O petróleo é basicamente a única razão pela qual o Oriente Médio não está caótico, mas a data para o fim das reservas é determinável. Se atualmente cabeças já rolam por ditaduras e disputas étnicas em profunda pobreza, é difícil imaginar algo bom no futuro. Para complicar, existe um fundamentalismo religioso movido por grandes massas, o crescente ódio por Israel e considerável antiamericanismo.
Próximo a nós há o Hugo Chávez, que conduz a Venezuela como quem brinca de herói e vilão, acreditando que exerce o primeiro papel. Na verdade representa um atraso para o seu país, sendo certo que o dinheiro que gasta, oriundo do petróleo, financia inclusive campanhas de simpatizantes de seu modelo retrógrado em outros países. No Peru, apoiou Ollanta Humala, derrotado por Alan García. No entanto, obteve certa vitória com o boliviano Evo Morales e Daniel Ortega na Nicarágua.
Há ainda a ameaça representada pela Coréia do Norte, um território sombrio do qual pouco se tem notícia, senão a de que a população é miserável, ostenta um exército numeroso e seu ditador Kim Jong-il tem nas ambições nucleares seu trunfo para negociar e intimidar inimigos.
Recentemente outros opositores de Vladimir Putin, presidente da Rússia, foram assassinados por meio semelhante, isto é, envenenamento. O surpreendente nisso foi a descoberta da substância radioativa, conhecida como polônio-210, nas vítimas. O governo nega qualquer envolvimento. A Síria também nega qualquer participação na explosão que vitimou o ex-primeiro ministro libanês Rafik Hariri e no assassinato de Pierre Gemayel, influente político cristão também no Líbano.
A negativa é a coisa mais banal. Inocentes e culpados sempre negam.
Provar certas coisas pode ser bastante árduo, mas uma leve sensibilidade é o suficiente para todos perceberem que o mundo deixou de ser um lugar seguro.



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Quarta-feira, Setembro 27, 2006

Houve um tempo em que as pessoas se preocupavam com o próximo tanto quanto consigo mesmas. Nesse tempo, no qual as pessoas buscavam a felicidade, sem que para isso outras tivessem que pagar um alto preço, a honra ainda era bastante valorizada e os favores prestados não serviam de moeda de troca, justamente por terem sido realizados de coração. Nesse tempo, o senso de justiça e o equilíbrio nas relações pessoais e comerciais não estavam ainda envenenados pela ganância e corrupção. O homem não era tão podre e o meio ambiente tratado como santuário, uma vez que a Terra era considerada lar, no seu mais verdadeiro sentido.
Ao imaginar esse tempo, só de imaginar apenas, ainda que inexistente, uma tranqüilidade brota acompanhada de certa força de reação, afastando o desânimo com o que está aí hoje.
A fé na salvação em Cristo nos faz sustentar muitas coisas, mas a desgraça na qual jaz o mundo certamente poderia ser menor, e isso sempre esteve ao nosso alcance pois assim também esteve ao daqueles que por aqui passaram. Mas parece que os seres humanos, pelo menos a maioria destes, gostam ou estão conformados em rumar para o período de choro e ranger de dentes. Brincadeira ou não, há até comunidade no orkut dizendo que os membros irão para o inferno.
Cada um que caminhe como quiser e que arque com aquilo que fizer.
Mas ainda bem que para respirar e sonhar não é preciso pagar.




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Terça-feira, Setembro 19, 2006

O Estado é compreendido como a nação politicamente organizada, consistindo em uma ordenação que tem por finalidade a regulamentação global das relações sociais de convivência, disciplinando os membros da coletividade em determinado território. Portanto, está incumbido de assegurar o equilíbrio, a paz e a segurança da ordem social.
O papel de guardião dos interesses públicos é calcado no Direito, que determina princípios obrigatórios aos cidadãos para promover a pacificação da vida em sociedade, a qual por natureza, tende a ser conflituosa. O chamado estado de Direito é marcado por um equilíbrio entre ele e o indivíduo, no qual o primeiro se baseia e se submete à força da lei, respeitando-a para que também seja cumprida pela coletividade. Há a preocupação quanto à materialização de direitos fundamentais, sendo então democrático quando o poder emanar do povo e for exercido para o mesmo, diretamente ou mediante eleição de representantes para tal fim.
Aqui entramos em terreno mais claro em relação ao ponto pretendido.
O Direito Administrativo surge com o estado de Direito, tendo como função regular a conduta estatal na medida das disposições legais, atuando como um direito que mune o administrado contra eventuais excessos do Poder Público. Os princípios por ele pautados são bússola da atividade administrativa, a qual como já dito, é subordinada à eficácia da lei.
A Administração Direta é a exercida pela União, Estados-Membros, Municípios e Distrito Federal, pois corresponde à atuação direta pelo próprio Estado mediante suas entidades estatais. A União é dotada de soberania, enquanto as demais possuem autonomia política, administrativa e financeira.
A Administração Indireta é composta por pessoas jurídicas de direito público ou privado, criadas exclusivamente para auxiliar o Estado na execução de sua atividade administrativa. Assim, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas e as sociedades de economia mista têm personalidade jurídica, patrimônio, capacidade de auto-administração e receita próprios, sendo certo que visam a satisfação de algum interesse logicamente público.
Eis o ponto discutível.
Estamos em ano de eleições e estão sendo disputados, além da Presidência da República, o Governo de cada Estado-Membro, uma vaga no Senado também para cada Estado e mandatos de deputados estaduais e federais.
A corrida pela Presidência em 2007 talvez tenha começado assim que Lula tomou posse. É de conhecimento geral, ou pelo menos de boa parte dos brasileiros, a quantidade de escândalos que estouraram e marcaram a passagem do Partido dos Trabalhadores no Governo Federal e o grande número de parlamentares corruptos, a maioria pertencente à base aliada, envolvidos em máfias e afogados em condutas antiéticas. A sensação que temos é a de que o país patinou no mesmo lugar e cresceu menos que o esperado.
Na mídia foi anunciada a auto-suficiência nacional na relação produção/consumo de petróleo. De fato, é um grande feito a ser comemorado, mas a forma como foi anunciada de certo modo propôs a associação da conquista ao Governo atual. Na verdade, trata-se de um feito que não é mérito de poucos, mas sim dos muitos que se esforçaram e vêm batalhando há décadas para tanto e, agora sim, também daqueles que comandam a Petrobrás, objeto de grandes investimentos por sucessivas administrações.
Ora, sendo a Petrobrás uma sociedade de economia mista, competente para exercer atividade própria do Estado nos limites legais, está correto o Governo transmitir com toda uma conotação política, em ano de eleições, a auto-suficiência do petróleo como mérito próprio? Por mais que neguem que a mensagem na publicidade realizada era esta, no fundo foi a verdadeira intenção. Anexar uma vitória dessa ordem, de grande peso econômico e importância no cenário internacional, ao candidato à reeleição, que tanto deixou a desejar. Na síntese, teve boa parte de sua equipe derrubada e se esconde atrás do programa Bolsa-Família.
O Governo do Presidente Lula foi encarregado de colocar tão somente a cereja.

Mais sobre a fantástica Petrobrás e sua história em: http://www.cpdoc.fgv.br/dhbb/verbetes_htm/6293_1.asp



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Quinta-feira, Março 02, 2006

Vamos registrar nosso agradecimento à galera da Igreja Cristã da Trindade, situada na capital paulista, freqüentada por um pessoal alegre e precioso, que animou o período de carnaval não na farra comum, mas mediante um especial retiro de jovens buscando a aproximação dos caminhos do Senhor.
Alyne, Mari, Mel, Giane, Michelle, Thaís, Nayla, Carly, Pastor Mauro, Tiago, Edgar, Diego, Elias, Leonardo, Cyro etc, um abraço a todos e que Deus os abençoe.



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Terça-feira, Dezembro 20, 2005

É Trrriiiiii !!!! São Paulo Tri-Campeão Mundial !!!! Aos adversários, só lamento hahaha... quem sabe um dias vocês não chegam lá. Dali Tricolor !!!



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Sábado, Dezembro 10, 2005

Part II

Meg não suportou o enforcamento e já estava morta ao tempo da fuga. Os peritos concluíram que o criminoso primeiro a golpeou com forte pancada na nuca antes de avançar sobre seu delicado pescoço, cujas marcas ainda indicavam a tamanha violência. Disso fez o elemento questão que todos notassem, pois o corpo não foi lançado junto com o velho Ford, mas sim deixado em meio alguns arbustos, seguro da explosão.
O que Rachel não compreendia, era o que teria levado aquele homem a assassinar sua amiga, uma jovem que se locomovia em cadeira de rodas e de reduzido círculo de amizades. Apenas sabia que a notícia deixaria muito triste os alunos de Meg, aos quais dava aulas de violino com grande dedicação.
A imagem do assassino perdurava nos sonhos de Rachel e a descrição passada aos policiais estava muito ampla, de modo que muitos indivíduos se adequavam às características do suspeito. Porém, foi de madrugada, na segunda noite em que não conseguia dormir, que se deparou novamente com o sombrio criminoso.
Sorridente e usando um terno cinza, , um cavalheiro respondia as perguntas de dois repórteres acerca da recente inauguração de mais um enorme campo de golfe, anunciando em seguida ter vencido a licitação para fornecer nitrogênio ao Departamento de Defesa. Atrás desse senhor estava um homem quase imóvel, conversando com outros rapazes do grupo, o mesmo que viu no estacionamento do supermercado no dia que gostaria que nunca tivesse existido.
No mesmo instante Rachel perdeu suas forças e imaginou ter se envolvido em um esquema grande demais para si, que não queria se meter com aquela gente; mas já estava envolvida. Afinal, sua amiga perdeu a vida e precisava fazer algo. Teve medo mas foi forte o bastante para perceber que era peça fundamental para desvendar o assassinato de Meg e eventual laços da máfia russa com a política. Entrou em contato com o Chefe de Polícia e indicou Mickail Borvisky Connor, filho adotivo do magnata Richard Connor, o mais bem sucedido empresário do Estado de Fortlon, como o autor do crime que chocou a comunidade de Grandstor.



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Quinta-feira, Novembro 17, 2005

Parte I

Chovia intensamente desde que o sol se pôs. As tardes em Mittsland costumeiramente se findavam quando os pombos procuravam abrigo nas copas das árvores da praça principal, instante em que os comerciantes baixavam suas portas e, pouco tempo depois, o tradicional sino da igreja avisava as dezoito horas.
As poucas ruas asfaltadas davam lugar ao paralelepípedo maltratado à medida em que se afastava do centro de Mittsland. As casas começavam a distar umas das outras e entre elas era possível apreciar os extensos canaviais e milharais que respondiam pela economia e progresso da cidade.
Em um pequeno sobrado cercado por pomares e embelezada pelo lago diante da varanda, morava há cinqüenta e dois anos a Sra. Viltmore. Como Rachel não visitava sua avó desde o enterro do Sr. Johnson Viltmore, não teve dúvidas em escolher o pequeno sítio dos avós para aguardar a data em que o serviço de proteção à testemunha iria enfim buscá-la.
Tudo aconteceu rapidamente, um pesadelo de olhos abertos, quando Rachel foi comprar algumas cervejas e deixou a amiga Meg no carro aguardando. Ao retornar, viu um homem enforcando a amiga, o qual fugiu assustado no próprio veículo assim que ouviu os gritos pelo estacionamento. Após comunicar o ocorrido à polícia e passar a limitada descrição do criminoso, recebeu a notícia de que seu automóvel havia sido encontrado em chamas na fronteira da cidade. O criminoso o lançou de uma ribanceira e dali evadiu-se.
Estava claro que o crime fora muito bem planejado. O indivíduo desconhecido possuía as chaves de seu automóvel e sabia que Meg sairia em sua companhia naquela noite. Como cartada engenhosa, fugiu em uma moto escondida na floresta que se estende pela estrada que separa Grandstor, da cidade vizinha Virdan, conforme indicavam as pistas até então obtidas pela equipe técnica policial e do único relato colhido de um lenhador da região.



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Quinta-feira, Setembro 29, 2005

Embora seja recente a vida democrática nacional, certo que até o momento o Brasil não acertou suas engrenagens. Desde a Constituição Federal de 1.988, entitulada como Constituição Cidadã, presenciamos fatos curiosos e principalmente angustiantes na esfera política, seja com o impeachment de Fernando Collor, seja com onda idiota do chavão fora FHC, seja com o lamentável esquema do mensalão petista.
Todavia, não vejo o cenário como o fim da renovação política, tampouco como catástrofe da década dez, mas sim como algo pelo qual precisávamos realmente passar. Certamente foi um estalo na mentalidade da população, pois a maioria não compreende o que vem a ser a Câmara dos Deputados, o Senado Federal e o Congresso Nacional, que nada mais é que a união das duas casas. Ouviu-se falar em Comissão Parlamentar de Inquérito, cassação, imunidade e decoro parlamentar, marketing eleitoral, Supremo Tribunal Federal e por aí adiante. De fato são coisas que o brasileiro em geral não tem muita noção, e não são raras as vezes em que o pouco que sabe é porque ouviu fulano, tão desenformado quanto, dizer, ou porque viu na televisão. No final das contas, a mensagem chega truncada e tudo fica na superficialidade. Ao perguntarmos a opinião sobre um fato, o cidadão diz: É tudo ladrão! ou É uma sacanagem com o povo! ou Por isso que o país não vai para frente!
Enquanto a sociedade não compreender a organização do Estado, a tripartição do Poder nos órgãos do Executivo, Legislativo e Judiciário, as coisas sempre ficarão no mais ou menos. Não dá para continuar assim, pois falta clareza nas informações de um modo geral.
Falta o brasileiro entender como funciona a máquina estatal, ter noção dos ministérios, quem está envolvido ou atribuído de exercer dada função. A verdade é que a maioria dos brasileiros acha que os políticos estão lá em cima, distante deles, em uma classe celeste. Isto é um absurdo. Políticos são representantes eleitos para zelar pela coisa pública, isto é, da res publica. Daí o nome República como forma de governo.
Há um problema prévio que se chama educação, é verdade, mas é lançando idéias e explicações que os problemas são ao menos minimizados. Levar cultura e ciência dos fatos é fundamental, mas o por que daquilo também.
Tem-se que a população vota porque simplesmente é chegada a época de eleições. Vota porque é preciso renovar ou reeleger representantes. E, finalmente, vota porque é obrigado a isso, pois se assim não o fosse, a ignorância de muita gente faria com que não saísse de casa para exercer uma faceta da cidadania. Disso eu não tenho dúvida.
Enfim, toda a celeuma que acompanhamos serviu para amadurecer politicamente a nação. Infelizmente insistimos em aprender por vias tortuosas, o que é bastante custoso, mas não deixa de ser válido. Apenas gostaria que a mídia, que teve papel louvável na denúncia dos escândalos, explicasse melhor o funcionamento do Estado. Sempre que posso procuro esclarecer algumas dúvidas geradas pelas notícias, pois é debatendo que se ensina e também se aprende, de modo a fazer com que o próximo não se sinta tão distante dos nossos políticos, ou seja, nossos representantes.
O povo tem o poder, e não pode assistir passivamente as decisões tomadas, mas sim questionar a eficiência das medidas e cobrar resultados. Não adianta esbravejar e continuar levando a vidinha de sempre. É preciso dar valor ao voto e ter consciência dos acontecimentos na órbita nacional e mundial.
Certa vez Roberto Pompeu de Toledo, um jornalista ao qual tenho grande estima, disse que quanto mais pensamos que nos mexemos, mais continuamos no mesmo lugar. É triste, mas se cada um não fizer sua parte, a frase ainda será atual na década vinte.



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Quarta-feira, Maio 04, 2005

Com o fim do papado de Karol Wojtyla, nome verdadeiro do carismático polonês João Paulo II, o conclave para a escolha de seu sucessor, que envolveu cento e quinze cardeais de vários países, elegeu Joseph Ratzinger na quarta votação.
O alemão de setenta e oito anos mal assumiu o Trono de Pedro e já recebeu muitas críticas. No entanto, Ratzinger, que adotou o nome Bento XVI, demonstrou que seguirá na mesma linha de João Paulo II, defendendo a doutrina católica das novidades que a ela atentam, bem como lutando para que findem as injustiças e guerras pelo mundo.
De fato, determinados posicionamentos da Igreja são calcados nas escrituras e na ética, mas há outros um tanto quanto estranhos. Talvez a condenação ao uso da camisinha seja o que mais chama a atenção. A situação está posta e a reversão é quase impossível, ante ao número de doenças e doentes existentes. Os portadores do vírus até hoje aguardam uma vacina, mas enquanto isso, faz-se necessário conter o avanço de tais casos que crescem principalmente entre os jovens. A doutrina prega o sexo depois do casamento, o que hoje soa praticamente inócuo na sociedade. A defesa pelo uso do preservativo é uma das poucas armas que podem ser oferecidas nesta guerra pela saúde.
Todos sabemos que há muita hipocrisia nessa história toda. Não foram raros os casos de padres pedófilos ou homossexuais, como também os de freiras que na antigüidade enterravam os filhos abortados ou os enfiavam em buracos, posteriormente cobertos com tijolos. Creio que se aos religiosos católicos fosse possibilitado o matrimônio, essas distorções diminuiriam consideravelmente.
No entanto, a firmeza do Papa em outros temas é de grande valia. Não tolerar casamento entre pessoas do mesmo sexo e a prática da eutanásia, tornou-se além de uma luta cristã, uma batalha política. Isto porque desde a separação entre Igreja e Estado, os países passaram a legislar da forma como entenderem melhor.
Bento XVI está ciente de que sob seu comando o número de fieis possa diminuir, mas acredita que aqueles que permanecerem serão os verdadeiros católicos, ganhando assim a Igreja em qualidade.
Vida longa ao novo Papa.



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Quarta-feira, Março 02, 2005

Diversas pessoas apostam em um futuro melhor para si e sua família, mas muitos vivem sem esperar grandes coisas, até mesmo do dia seguinte. Outros sonham e guardam idéias, sem nada fazer, assim como há muitos que também nem sonham.
Passamos há pouco mais que dois meses por duas comemorações interessantes, sendo elas a virada de ano e o tradicional carnaval. Na primeira o pensamento positivo é generalizado, já que é chegada a hora de afogar as mágoas e desilusões, deixar de lado as bobagens feitas e aguardar que tudo se resolva no decorrer dos próximos trezentos e sessenta e cinco dias. Na outra encontramos semelhança na parte em que se deixa a tristeza e os problemas de lado, onde qualquer sacanagem está valendo e qualquer bobagem feita servirá de história para ser contada o quanto antes nas rodinhas, afinal tudo é farra.
Os dias passam e o frenesi se encerra. Aos poucos a sociedade se acerta e o gigante Brasil cai na real, pois parcela considerável da população estava trocando o dia pela noite.
Não existe medidor capaz de auferir a quantidade de pecados senão o próprio coração do indivíduo. Não há hora mais perturbadora do que instante em que o mesmo encosta a cabeça no travesseiro e sente-se culpado por algo consumado. No entanto, não há muito que se possa fazer por aquele que ignora tal apreensão e a encara como fútil e passageira. O reconhecimento dos pecados e o arrependimento não parte do pólo perfeito, que em sua benignidade confere a graça, mas sim do pólo pecador, fraco e orgulhoso.
Se tivéssemos que cumprir à risca os dez mandamentos divinos, de modo algum determinado mortal conseguiria alcançar a vida eterna. Ora, a falibilidade humana não nos permite sequer acertar as coisas de primeira quando temos boas intenções.
A verdade é que andar na linha pode até ser fácil, o difícil é manter-se nela. Todos devem se policiar, olhar no fundo quantas nódoas provocaram e tirar a lição de que nem sempre seguir a massa é estar com a razão.



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Quarta-feira, Janeiro 26, 2005

A Inglaterra deu início ao constitucionalismo, mas apenas no final da Idade Média é que os ingleses partiram para a afirmação de direitos, sendo tal postura considerada precursora das futuras declarações pelo mundo.
Em 1215, nobreza e clero impuseram ao Rei João Sem-Terra a Magna Carta, que se tornou um símbolo histórico por ter sido o primeiro freio em relação ao poder absolutista. A Carta inglesa levou mais de meio século para ser definitivamente reconhecida e respeitada pela Coroa, apesar da forte pressão dos barões e do clero. No fim as classes dominantes e algumas categorias de súditos tiveram seus direitos preservados.
A Magna Carta representou uma esperança para a consciência política dos povos. Em uma época sombria e tensa, ela conseguiu despertar o espírito humano, antes contaminado pela barbárie e pelo feudalismo, razão pela qual merece destaque.
Ainda hoje é forte a preocupação em assegurar direitos ao homem. Diversas organizações foram criadas, sob diferentes bandeiras, como a defesa da raça, do credo e da liberdade de pensamento. Nações também firmam acordos e celebram tratados, unindo esforços para a defesa da liberdade e da democracia. Tudo é tão bonito e belo que se realmente funcionasse a prosperidade seria plena.
Zelar pela humanidade não consiste em injetar dinheiro em um primeiro momento e depois tirar com a outra mão mediante a cobrança das dívidas. Também não se resume na ajuda em pós-catástrofes, como ocorre no Sri Lanka, Indonésia e Malásia, países tão afetados pelas ondas gigantes. Defender o ser humano e a natureza é defender a vida, assegurar alguma dignidade e a preservação do meio, nem que seja com um prato diário de comida e com a proibição da caça por peles.
Muitos criticam a atenção dispensada pelos países ricos, mas se o Brasil estivesse no mesmo patamar, talvez agisse da mesma maneira. Remédios e alimentos são realmente muito importantes, mas é com grana que se erguem casas, escolas e parque industrial.
Se nem louco rasga uma verdinha, porque algum Tesouro consentiria em queimar milhões delas? Não defendo que se dê dinheiro a mendigo, mas sim que a ele sejam oferecidos assistência e condições para que possa crescer. Abrigo e alimento todo Estado bem administrado é capaz de proporcionar com um mínimo de eficiência. Do mesmo modo não se deve doar escancaradamente a alguma nação pobre, pois infelizmente o que se vê é o mau emprego das verbas, que acabam tomando rumos incertos. A ajuda deve se dar de forma direta, sem delegação e com rígida diligência. Ora, ajudar o próximo não fere nenhuma soberania e é assim que os bilhões de dólares surtiriam efeito.
Quanto maior a fortuna, mais roedores aparecem para dilapidá-la. Um pouco mais de boa vontade política seria capaz de corrigir esta distorção.



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Terça-feira, Dezembro 21, 2004


Pela capacidade de raciocínio, dom por meio do qual Deus permitiu ao homem reinar sobre os animais, o conhecimento se difundiu e hoje o homem resolveu brincar de Criador.
Não importa qual seja a bandeira levantada, a questão nunca deixará de ser polêmica. Cientistas defendem a pesquisa com células-tronco, a criação de órgãos e a clonagem. Religiosos apontam riscos biológicos quanto ao emprego de certas tecnologias e principalmente a falta de ética. Outros apenas se preocupam em pagar seus impostos em dia e outros tantos querem mais é que tudo se dane no final das contas.
Não há dúvida de que as pesquisas científicas em muito colaboraram para o progresso humano, permitindo até mesmo uma maior longevidade com o combate a doenças. Também seria injusto não conferir destaque a todos os avanços proporcionados pela tecnologia, como os avanços na comunicação e no campo do entretenimento. O ideal seria que todo esse potencial atingido pelo homem fosse empregado com destreza para o bem da coletividade. Fome, guerras e pestes sempre apareceram na História e não se sabe quando deixarão de continuar aparecendo. Apesar do homem já ter desbravado a Terra e dado início à conquista do espaço, ainda mantém conflitos entre si e desigualdades sociais enormes, proporcionais ao tamanho de uma formiga perante uma baleia. Exemplo disso é a disseminação da aids no continente africano, outrora tão explorado pelo imperialismo e que na atualidade vem recebendo esporádicas ajudas humanitárias da Organização das Nações Unidas, que também já não são tão unidas assim.
Ao nascer todos já trazem consigo a obrigação de encontrar seu espaço no mundo, de vencer na vida. Nessa jornada cada um não pode esquecer de que faz parte de algo maior, não podendo assim deixar o individualismo prevalecer. Pensar no todo, lutar pela preservação da vida e fazer tudo o que lhe vier às mãos bem feito, esta sim é uma das melhores formas de demonstração de racionalidade.



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Sexta-feira, Dezembro 03, 2004

Apesar de ter adotado o modelo econômico capitalista, a Rússia ainda não acertou totalmente seus passos perante o mundo pós - Guerra Fria. Mesmo sendo o maior país do mundo e rica em recursos minerais, a economia é frágil e a população amarga com a forte desigualdade social, que se deve em boa parte pelo fracasso soviético e governos autoritários.
A Rússia passou por crises econômicas não faz muito tempo, mas é membro do G-8 devido ao seu poderio militar, uma vez que só deve ser superada pelos norte-americanos em quantidade de armas nucleares. Por outro lado, a Rússia tenta se manter forte na Ásia, tanto no que se refere à sua estabilidade territorial ao combater separatistas chechenos, quanto ampliando sua influência política sob as nações vizinhas, principalmente aquelas que um dia foram parte da União Soviética.
Infelizmente as eleições na Ucrânia foram fraudulentas e a única voz em defesa do presidente ucraniano foi a do presidente russo Vladimir Putin. Lamentável. Que a Rússia queira se fortalecer na região tudo bem, mas chancelar falcatruas gritantes não é muito sensato, principalmente quando os cidadãos eleitores estão com a razão.
A questão futura, e aí fica o interrogação, é a de como serão as eleições russas, pois Putin não poderá mais se candidatar. Se já deu essa mancada ao se meter nas eleições ucranianas, imagine quais são seus planos para garantir em Moscou o seu sucessor.
Em Kiev os protestos continuam sendo manchete pelo mundo já que o povo continua nas ruas, mas é de partir o coração saber que há tantas loirinhas de olhos azuis estão sofrendo por lá.



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Sexta-feira, Novembro 26, 2004

A menina brincava com a terra seca e alguns caroços de milho, enterrando uns e dando outros de comer a alguns pássaros que já não se assustavam com sua presença.
Mais uma tarde estava se encerrando e o cenário permanecia inalterado para Isabela, exceto pela vegetação que padecia a cada dia sob o sol, secando folhas e alvoroçando gafanhotos. Segunda filha de uma família humilde, não teve a oportunidade de acompanhar a origem do retorno ao sertão, pois ainda era muito pequena quando o pai perdeu quase tudo o que tinha em investimentos infrutíferos no agreste.
Seu nome foi escolhido para minimizar um momento amargo da família Vidora, que nunca deixou o desespero tomar conta ,apesar de todas as dificuldades que enfrentava. A beleza era algo que há muito não se via na região em que moravam. A casa de tijolos, completada com madeira, aguardava a laje prometida assim como os dois irmãos ansiavam pela carne seca prometida pelo tio viajante.
O nome de Isabela parecia lançar uma brisa a cada vez que era pronunciado, dando ânimo aos pais que pretendiam juntar dinheiro e partir para a Zona da Mata. O pequeno restaurante era idealizado por todos, mas a cada período de seca o plano parecia mais remoto.
A menina incentivava da forma que podia, ensinando seus irmãos a ler e escrever, tal como sua avó lhe ensinara antes de morrer e ser enterrada nos fundos da propriedade. Quando podia, também ajudava a buscar a água do açude que mantinha viva as pequenas plantações da família.
Naquela tarde Isabela semeou uma fileira de milho ao lado das que plantara durante a semana. Enquanto retornava para casa sentiu uma gota cair em seu ombro. Olhou para cima e outra atingiu de leve sua face. O grito veio em seguida, não só ele como outros, ao levar a boa notícia para a casa.
A chuva que há sessenta dias não vinha fez o verde ressurgir, salvando também a colheita da família Vidora, que já havia perdido tantas outras em sua quase totalidade.
Isabela comandou a guinada na vida de todos e nunca deixou de orgulhar seus pais, demonstrando que o nordestino com Deus, água e oportunidade só sossega após vencer.

O Brasil pode dobrar seu PIB se programas efetivos de desenvolvimento forem aplicados ao Nordeste. Enquanto a concentração permanecer na parte Sul, dificilmente passos largos serão dados. É triste ver uma região maior que países desenvolvidos apenas ser lembrada pelas festas, litoral e turismo.
O Nordeste é rico e economicamente viável, só faltando um pouco de ousadia e interesse político. Está na hora do capital circular mais nesse mar de desigualdade social. Antes de nordestino, aquele povo é brasileiro.



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Quinta-feira, Novembro 18, 2004

A questão da poluição e do aquecimento global constantemente é tema de convenções e encontros internacionais. Também é assunto em cúpulas da ONU e, desse esforço em conjunto, nasceu o Protocolo de Kioto, com o objetivo de reduzir a emissão de poluentes no planeta. Diversos países aceitaram colaborar com a causa, mesmo porque é uma questão que atinge a todos, mas os norte-americanos insistem em ficar de fora do Protocolo.
Em nome da preservação de sua economia e da forte industrialização, a Casa Branca preferiu não assinar o acordo e abster-se da redução de gases nocivos à camada de ozônio. O argumento por eles apresentado é o de que buscarão formas alternativas de controle da poluição. De fato meios para isso eles têm, mas o que fica claro nessa história e em tantas outras que os envolvem, é que os americanos vivem dizendo f***-se para tudo e para todos, quando seus interesses econômicos são colocados na mesa.
Outro ponto que demonstra o quanto os americanos são fortes no protecionismo é o que se refere aos subsídios agrícolas. Dos europeus pode-se dizer o mesmo. Sempre que a questão dos subsídios é levantada, todos os países desenvolvidos apenas dialogam no campo hipotético e não adotam nenhuma postura concreta no sentido de diminuir as barreiras comercias por eles levantadas. É um jogo de empurra-empurra no qual quem só tem a perder são países de forte exportação de produtos agrícolas, mas que perdem competitividade por causa das políticas protecionistas.
A Rússia aceitou acatar ao Protocolo recentemente e, com isso, finalmente ele poderá começar a mostrar resultados. Não se trata de coisa para já, mas sim um futuro que os homens deveriam levar mais a sério. O erro cometido agora poderá não ser sentido na pele por aqueles que cometeram, talvez essa a razão para a desídia, mas com certeza seus filhos, netos e demais descendentes pagarão o pato lá na frente.
Com a responsabilidade de 36% dos poluentes lançados na atmosfera, ou os americanos deixam de ser filhos da p*** e pensem mais no meio ambiente, ou continuem sendo, desde que comecem a pensar em algum escudo de proteção quanto aos raios solares, tal como o hilário escudo anti-mísseis.



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Quinta-feira, Novembro 11, 2004

Após uma vida dedicada à causa de seu povo, Yasser Arafat chegou ao fim de sua jornada. Apesar de não ser um sujeito tão insensível, não me foi comovente a notícia, mesmo porque a morte deve ser encarada com firmeza, ou algum idiota acha que viverá para sempre? Além disso, Arafat é conhecido como pai do terrorismo e ajudou a incutir nos radicais árabes o ódio profundo aos judeus, o que até hoje se mostra quase que impossível de se reverter.
Os acordos de paz até hoje não deram certo e infelizmente não se vislumbra alguma solução prévia e definitiva. A criação do Estado de Israel tumultuou demais o Oriente Médio em 1948, pois no primeiro momento, foi como se a ONU colocasse uma gazela em um local povoado por leões. Israel foi atacada por países vizinhos e, além de suportá-los, anexou territórios e expulsou palestinos. Estes, até hoje reclamam por um território próprio, pois constituem apenas uma nação não dotada de soberania. Não têm um governo soberano sobre dado território no qual o povo possa prosperar. No entanto, Arafat tem mérito em ter feito surgir esse sentimento de nação.
É estranho observar assim de fora, mas todos sabem que na hora do aperto o ser humano é capaz de loucuras. Também é estranho querer julgar os outros sem saber o que estes passaram na pele, mas de todo o modo, matar é sempre reprovável.
Arafat chegou a extremos em nome da causa palestina e em sua velhice chegou a ser confinado em seu quartel pelas tropas israelenses. Parece que o primeiro de Israel está em um momento oportuno para esquecer desavenças e negociar com novas lideranças palestinas, mas tudo é incerto. Na verdade, não deixa de ser preocupante a questão palestina com a morte do líder, pois a coisa pode degringolar de vez com os palestinos batendo cabeça.
Nosso desejo é que os povos possam conviver em paz, ainda que não se suportem. Que mantenham acalmados os ânimos por amor à vida. A areia daquela terra já bebeu sangue demais. Está na hora de parar.



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Sexta-feira, Novembro 05, 2004

Agora está consumado. George W. Bush foi reeleito e permanecerá ocupando a Casa Branca.
O resultado não é de assustar, pois pelo contrário, era até bastante previsível. Os americanos nesse princípio de século XXI se viram numa situação que imaginavam ainda um pouco distante, mas certa, já que as unhas da águia branca teriam que ser mostradas inevitavelmente.
Abalados com a queda das torres gêmeas em Manhattan, iniciaram uma operação militar de custo bastante elevado, dando uma injeção de vigor na indústria bélica e nos poderosos do Pentágono. Nessa brincadeira o Afeganistão foi palco de batalhas e bombardeiros; depois Saddan foi encurralado no Iraque.
Bilhões já foram gastos e outros tantos ainda serão nessa grande campanha contra o terror, sendo incerto o término dessa grande névoa que paira nos Estados Unidos e nas nações da União Européia.
Para a maioria dos americanos não fazia muito sentido trocar o Presidente que iniciou a grande empreitada com mão-de-ferro. Talvez Kerry não fizesse muito diferente, e por isso optaram por manter Bush, que já domina a situação e sabe de todos os detalhes e podres da campanha militar.
O mundo passará mais quatro anos acompanhando seu governo e sabe-se lá se nas próximas eleições não teremos a Coréia do Norte como arma eleitoral dos Republicanos.
A democracia americana foi conquistada com guerra, como mostra a História, mas talvez isso não cole em outros países, acostumados ao autoritarismo e à opressão de regimes totalitários. Só o tempo dirá se a guerra em nome da paz não terá sido em vão, e se o petróleo não terá saído caro demais para Washington.



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Sábado, Outubro 30, 2004

A democracia ainda é uma novidade em nosso país. No início houve um tropeço, um descompasso com o que era esperado, mas os alicerces não foram tão abalados. Quanto Collor deixou o poder, os brasileiros não deixaram a esperança se extinguir e continuaram apostando suas fichas no rumo almejado pela Constituição de 1988.
A soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, ao lado do pluralismo político, permaneceram como fundamentos do nosso Estado Democrático de Direito.
Collor, um verdadeiro oportunista, foi eleito sob a sigla do PRN, um pequeno partido da época. Gostaria de saber quantos membros chegou a ter, pois o ex-presidente enfrentou grandes dificuldades para obter apoio no Congresso.
Partidos pequenos costumam ser meros aliados dos mais estruturados. Dificilmente têm membros ocupando cargos no executivo, quando muito uma pasta ministerial em virtude do tal apoio prestado.
Hoje, mais do que nunca, percebe-se que os partidos pequenos se acomodaram com a situação e creio que não estão muito incomodados com o quadro. Isso porque costumam negociar o apoio às grandes siglas e assim não desaparecem do cenário político.
Ocorre que, em razão dos ajustes e do troca-troca partidário, duas legendas estão fortemente estruturadas no país, sendo elas o PT e o PSDB. Essa bipolarização lembra bastante o que acontece nos Estados Unidos, em que a cada quatro anos Republicanos e Democratas disputam o voto do eleitorado.
É difícil acreditar que os demais partidos irão sucumbir, em razão de suas tradições, mas também é difícil imaginar a reversibilidade do quadro atual.
PT e PSDB irão se enfrentar inúmeras vezes e a disputa pela prefeitura de São Paulo é um desses confrontos nas urnas.
Seja lá o que acontecer, espera-se que a democracia não saia arranhada nessa história toda. Aliás, os norte-americanos não estão pensando muito diferente disso. Bush e Kerry que dêem o exemplo por lá, sem fraudes e irregularidades, pois não há nada que aconteça no exterior que não repercuta de algum modo por aqui.



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Terça-feira, Outubro 26, 2004

A vida é cheia de altos e baixos. Há histórias de todos os tipos e todos os gostos. Coisas surpreendentes, trágicas e hilárias, todas envolvendo o mesmo objeto de desejo: o dinheiro. Fala-se do caso do mendigo que ao perambular pela noite à procura de alimento, passou próximo a um estacionamento e encontrou uma pequena trouxinha de flanela. Quase a deixou ali mesmo, mas preferiu apanhá-la. Em seu interior havia inúmeras pedrinhas de diamante.
Fala-se também de um homem rico que muito temia pela sua vida. Colecionou inimigos no mundo dos jogos ao longo de décadas e mesmo após ter abandonado os cassinos, desconfiava de tudo e de todos. Gastava horrores com festas para a alta sociedade e com prostitutas, mas mantinha a família sob constante vigilância e mão de ferro. Certa vez juntou quase toda sua riqueza e decidiu levá-la para o cofre de uma de suas propriedades rurais. O problema é que até hoje não se sabe quantos milhões foram queimados ou levados de seu carro pois havia uma bomba sob seu assento.
Para alguns, meio necessário e razão de existir, para outros, algo que ajuda na felicidade. As vezes a ansiosidade sabe tanto à cabeça que o dinheiro, a honra, a esperança e desilusão se confundem e deixam a pessoa desorientada. Num mundo em que cada vez mais os direitos estão se tornando relativos, inclusive a vida, dar um tiro na cabeça, atear fogo ao próprio corpo ou cravar uma espada em si mesmo pode ser interpretado como bravura para certas pessoas. Nada é absoluto, pois tudo depende do seu ponto de vista. Louco, não?
Muitos no lugar do mendigo teriam feito o que mais sonharam na vida. E ele não fez diferente. No entanto, o mendigo preferiu entregar as pedras às autoridades e em razão disso recebeu uma conta considerável da dona dos diamantes, que também o empregou.
A vida é assim, cheia de opções, mas são as preferências certas que te levarão à maior das recompensas.



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Sexta-feira, Outubro 15, 2004

O trabalhador brasileiro tem enormes dificuldades para acumular riqueza. Sem generalizar, obviamente, porque há uma parcela da sociedade realmente abastada, assim como uma classe média considerável, mas infelizmente, em um universo de mais de cento e setenta milhões de brasileiros, a maioria passa aperto.
Dizemos que a causa da desigualdade é histórica, dizemos que a pobreza é pelo descaso das autoridades, dizemos que a culpa é dos países desenvolvidos. Enquanto essas escusas perdurarem como justificativa para nossos problemas, o país continuará tropeçando no caminho do crescimento. O Brasil sabe dos seus problemas e tem noção que o tratamento direcionado é o mais viável. A idéia de que o Estado deve cuidar de tudo está sendo transformada e a sociedade está percebendo que quem faz o Estado ela mesma.
Não se deve colocar a culpa em terceiros. Essa fase já está superada. É preciso sim pensar no futuro e corrigir os equívocos, assumir uma postura condizente à potencialidade desse gigante, que muitos brincam jocosamente que está deitado em berço esplêndido há tempo demais.
Enquanto as coisas não forem ordenadas e orientadas, os brasileiros continuarão patinando no mesmo lugar. Felizmente esse ano, a muito custo, é previsto que o país cresça 4%. Felizmente também, os investidores estão confiantes com a situação nacional, apesar de ainda não ser um mar de rosas. Isso porque o interessante é ter um povo empregado e consumidor, essencial para o ciclo virtuoso.
O certo é que a neblina passou e o Brasil precisa exercer com mais entusiasmo sua importância no cenário internacional. Conseguir uma cadeira no Conselho de Segurança na ONU é conseqüência; tudo tem seu tempo. Aumentar parcerias comerciais, se aproximar da União Européia e a aumentar a influência na América Latina são obrigações de maior relevância.
Criticam a onda patriótica que está no ar, mas isso é extremamente salutar e agradável. Aliás, bem já dizia Aristóteles que ama-se mais aquilo que se conquista com esforço. O estágio atual não foi obtido à base da brincadeira, sem mencionar a ditadura pela qual passamos.
Tudo é favorável ao Brasil, só é preciso o brasileiro deixar de ser trouxa e parar de bancar o coitadinho sofredor.


Eu digo sempre que o Brasil é um país abençoado, porque Deus nos deu esse solo extraordinário, uma extensão territorial fantástica, sem as intempéries que acontecem na maioria de outros países. Não temos vulcão, não temos maremoto (...), temos todas as condições que a natureza nos deu como vantagem comparativa. (Excelentíssimo Senhor Presidente da República Federativa do Brasil Luis Inácio Lula da Silva)




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Quinta-feira, Setembro 30, 2004

O uso da expressão entorpecente não é o mais apropriado para classificarmos as espécies de drogas, pois toda substância capaz de proporcionar distúrbios psíquicos é compreendida pela expressão substância psicotrópica.
O termo dependência também veio substituindo a chamada toxicomania. Esta, segundo a Organização Mundial de Saúde, é entendida como todo o estado de intoxicação periódica ou crônica, prejudicial ao indivíduo e à sociedade, que tem como origem o repetido consumo de drogas naturais ou sintéticas.
As substâncias psicotrópicas podem ser divididas em três grupos, isto é, em psicolépticos, psicoanalépticos e psicodislépticos. O primeiro grupo compreende os entorpecentes que diminuem a capacidade psíquica, tais como tranqüilizantes e hipnóticos, que com o tempo desorganizam o sistema nervoso, reduzem a acuidade sensorial e a coordenação motora. O segundo grupo corresponde aos estimulantes psíquicos, que fazem o usuário a permanecer em estado de prontidão, uma vez que têm por objetivo eliminar o cansaço e também o sono. Por fim, o terceiro grupo abarca as substâncias que alteram a personalidade, que causam delírios e alucinações, e que podem até levar à paranóia e esquizofrenia.
O álcool é mencionado pelo professor Fernando Capez, em seu livro Tóxicos, no grupo dos psicodislépticos, ao lado de euforizantes como ópio, heroína e cocaína.
Ora, o álcool nada mais é que uma droga absolutamente liberada, que encontra apenas restrição na venda para menores. Esse obstáculo não significa nada, pois na guerra por mercado, as bebidas alcoólicas nunca tiveram tanta evidência como nos últimos tempos. Se isso é capaz de atiçar os mais velhos, o que dizer então quanto aos jovens? Outro convite à bebedeira é o preço camarada das cervejas e batidas, que ficam em torno do mesmo preço de refrigerantes e sucos.
Apesar dos recursos gerados pelo mercado de bebidas, o interesse público deveria ser observado com maior cuidado, já que muitos acidentes e conflitos familiares decorrem da ingestão contínua e imoderada do álcool.
Se cerveja custasse dez vezes mais do que hoje custa na tabela, e se a famosa branquinha dos botecos saísse por uns cinco reais, o tamanho da farra diminuiria, mas também viria acompanhada de um menor número de vítimas de acidente de trânsito, de agressões e de assassinatos.



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Quinta-feira, Setembro 23, 2004

Costuma-se pensar que postos de gasolina são minas de dinheiro. É uma meia verdade, pois tal como uma lanchonete de renome mal localizada, um posto pode ter lucros minguados. Tirando isso, postos têm tudo para dar lucro pois os principais produtos ali vendidos são necessários para movimentar toda a frota nacional de veículos automotores.
No ano passado, o mercado de combustíveis movimentou mais de setenta e quatro bilhões de litros, o que em cifras correspondeu a pouco mais de R$ 115 bilhões de reais. Para se ter idéia de como esse mercado abastece os cofres públicos, mais de R$ 40 bilhões foram arrecadados em tributos.
Espera-se que a autonomia nacional na produção petrolífera, anunciada para os próximos anos, torne os derivados do ouro negro mais baratos para o consumidor.
O preço da gasolina veio crescendo nos últimos tempos e muitos buscaram outras alternativas, tais como o diesel, o recente gás natural veicular e até mesmo o retorno ao velho álcool, que tanto dá trabalho em épocas frias.
Infelizmente o mercado de combustíveis está envolto de fraudes e quadrilhas que adulteram gasolina. Para fugir da forte incidência de impostos, inúmeros donos de postos passaram a comercializar a chamada gasolina batizada. A ANP apurou alguns casos, mas é certo que as adulterações com a utilização de mais solventes que o permitido não pararam por aí. A norma prevê a adição de apenas 25% de álcool anidro na gasolina, mas alguns estelionatários colocam porcentagem superior para obter assim mais litros e, com preço menor, mais clientes.
Dificilmente o consumidor fica sabendo da compra de gato por lebre, mas o preço final do litro às vezes pode gerar alguma desconfiança.
Na guerra dos postos, cada centavo faz diferença. Quando estes se transformam em dezenas de centavos de diferença, vale a pena ficar esperto.



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Quinta-feira, Setembro 16, 2004

É inadmissível a tolerância para com a violência doméstica. Em tese, a maioria dos homens parte do princípio de que em mulher não se bate nem com uma flor, mas há uns imbecis que dizem que mulher gosta mesmo é de apanhar.
Não há que se indagar a respeito da insanidade ou ebriedade desses indivíduos, pois são sinceros no que dizem e de fato assim agem. Causas como a falta de educação, por ser o sujeito rústico, e o álcool em excesso são as mais freqüentes, indicando que nem sempre correspondem à realidade. Tem muita madame que leva porrada em seus belos sobrados e guardam silêncio, assim como muita empregada e enteada que são agredidas por patrões e padrastos, respectivamente.
O entrave mor para punir tais sujeitos está na própria justiça, em sua fragilidade de instrumental. Embora existam Delegacias especializadas no atendimento feminino, pouco se faz para ajudá-las, pois um fato isolado pode ser difícil de provar e a reiteração pode já ter aterrorizado e intimidado a vítima. Não são raras as vezes em que a mulher retorna à Delegacia para solicitar o não prosseguimento do feito, no sentido de não desejar que o marido ou companheiro seja processado, mesmo porque ao final, por crime de menor potencial ofensivo, a pena pode ser substituída por algum serviço social ou no pagamento de cestas básicas. Nada disso tem força suficiente assustar o agressor e impedir novas agressões.
É fácil recomendar que se tenha cautela para evitar o envolvimento com trastes ou até mesmo a saída de casa, mas isso soa como um grito no vácuo. Um aviso sem frutos porque na pobreza não se tem muita opção, pois tirando a casa humilde dos pais não se tem para onde ir e nem onde permanecer, com dois ou três filhos.
Tirando esse caos vivido em algumas famílias, a verdade é que a mulher traz consigo o berço da vida, garantindo a perpetuação da raça humana enquanto por aqui for possível se viver. Não só pelo sentido biológico, mas também pela delicadeza física e pelo emocional aguçado, a mulher é digna de muita atenção e carinho.
No passado já compararam a mulher com a porta do capeta, mas também ouvi dizer que pelo Alcorão a mulher seria o camelo que Alá deu ao homem para atravessar o deserto da vida. Tudo isso é bobagem. As comparações pejorativas estão longe de corresponder à verdade e não há versos que se aproximem muito desta também.
Prefiro dizer que a mulher é a menos imperfeita das criaturas.



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Quinta-feira, Setembro 09, 2004

Quando Samuel Colf inventou o revólver, certamente não foi tão visionário a ponto de imaginar quão grandes aprimoramentos seu brinquedo haveria de passar. Santos Dumont, o pai da aviação, também viu na sua criação algo que não poderia ter outro fim senão a locomoção do homem pelo ar. Não sei qual destino teve Samuel, mas Dumont não suportou ver sua conquista ser utilizada na guerra para bombardear cidades e elevar consideravelmente o número de mortos.
As guerras sempre existirão, pois o homem é incapaz de viver pacificamente por muito tempo. Sempre surgirá algo pelo que lutar, algo a ser disputado e dominado. A utilização das armas também é inevitável, pois até nisso aplica-se a lei do menor esforço. Cada vez mais os artefatos bélicos se tornam eficazes, precisos e logicamente letais. Quando não são utilizados, é porque se partiu para os agentes biológicos e produtos químicos, tão destrutivos quanto o mais caro dos mísseis.
A questão foge um pouco do controle quando as armas são utilizadas para atingir fins muito piores que os criminosos, muito piores também que a guerra convencional. A desgraça reside quando as armas estão nas mãos de terroristas, que levados pelo ideal da obtenção de setenta e duas virgens no paraíso, promovem a guerra santa. Descobriu-se agora que travestidos pelo mesmo ideal, fundamentalistas seqüestram reféns e explodem seus corpos em nome do separatismo.
A morte de criancinhas indefesas chocou o mundo e enfureceu a comunidade internacional. Fez reacender o nojo aos terroristas, que andava adormecido após as explosões em Madri. A hipocrisia aumenta ainda mais quando se acrescenta a complacência com que todos vêm assistindo o campo de batalha em Israel.
O terror é uma praga. Praga a qual não destrói plantas e colheitas, mas vidas inocentes. Agora os russos estão dispostos a atacar qualquer base terrorista no mundo, pois Putin sentiu mesmo o golpe.
Com armas se causam problemas, mas será que com elas os problemas são resolvidos?
De fato elas servem como excelente forma de controle, mas este nem sempre é pleno. A força e a coação realmente intimidam, mas não significam vitória. A solução está na mente das pessoas, que deve ser mudada antes que mais tragédias venham a acontecer. Isso vale para ambos os lados.



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Quarta-feira, Setembro 01, 2004

Os brasileiros voltaram de Atenas com a melhor participação o país já teve em Olimpíadas. Com quatro medalhas de ouro, três de prata e três de bronze, a décima oitava colocação no quadro geral ficou conosco.
O número é mesmo modesto, mas ao analisarmos com maior cuidado veremos que cada medalha conquistada traz uma história de guerra. No escorrer do suor misturado às lágrimas dos atletas, não duvido de que talvez estas fossem mais fruto da vitória pessoal que conseguiram do que pela glória e prazer de presentear a nação.
Receber um dos metais atribuídos aos três primeiros colocados não parece coisa de outro mundo para os países tradicionais em colecionar medalhas. Não é à toa que as potências olímpicas são nações ricas e prósperas, cuja cultura ainda parece distante de atingirmos. A arrecadação de tributos não tem como fim agigantar o papel do Estado, mas sim ser direcionada às áreas sociais, pois a preocupação com o indivíduo é irrestrita.
Todos apontam que falta interesse político no esporte, mas a falha é mais complexa do que aparenta. Além da falta de interesse político em investir no esporte há o desinteresse por parte do setor privado nacional. Felizmente não podemos generalizar esse triste quadro porque graças aos clubes e à boa vontade de alguns empresários as coisas ainda parecem promissoras por aqui.
Ainda assim, em meio à falta de patrocínio e recursos, algumas medalhas foram obtidas. Poderia ter sido em um número maior, todos sabem disso. Não adianta ficar bravo ou brava, porque a paulada dói no lombo de todos.
Experimente cantar o hino nacional de cor. Se conseguir chegar até o final já estará colaborando um pouco, ao menos um pouco, para melhorar a idéia de patriotismo. Isso porque patriotismo vai muito além. Significa amar a tudo e a todos que se encontram protegidos por nossas fronteiras. Significa defender e dar assistência ao que a Constituição determina como nosso. Significa apoiar e dar oportunidades ao desenvolvimento e não somente cobrar resultados.



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Quarta-feira, Agosto 25, 2004

Não foi por parecer mais agradável e nem porque seria mais divertido que os homens passaram a viver reunidos, deixando para trás o nomadismo. Pode-se se dizer que foi para atender interesses econômicos ou ideológicos, mas o pano de fundo foi mesmo a inevitável necessidade.
O homem percebeu que sozinho as coisas se tornavam mais árduas, seja para a obtenção de alimentos como para o cuidado de seus animais e bens. Sozinho, ele enxergou sua vulnerabilidade e insignificância.
Com o tempo, a necessidade fez com que os propósitos isolados se dirigissem a um mesmo ideal. A união dos semelhantes proporcionou segurança ao grupo e melhores condições para a produção e acúmulo de riquezas.
Em pouco tempo os problemas da convivência em sociedade despontaram, na forma de disputa por respeito, por melhores terras, alimentos, animais e armas. Tudo isso traduzido em disputa pelo poder, nada mais do que isso.
Logo foi preciso o estabelecimento de normas que se dirigissem a todos, pois a falta de limites nas condutas das pessoas já estava próxima de tornar insuportável o convívio em sociedade. Pelo furto de uma galinha o indivíduo proprietário se achava na razão de eliminar toda a família do ladrão, assim que o identificasse.
O que se passou há muitos séculos não é muito diferente daquilo que vemos ao olharmos pela janela. Vê se que o ideal de sociedade não mudou na sua essência, mas passou por algumas distorções. Não se imaginava que a miséria se alastrasse com tamanha voracidade. Também não se imaginava que a concentração de riqueza se tornasse tão gritante. No entanto, os homens permaneceram agrupados, concentrando seus esforços para a manutenção do bem comum e para a proteção de sua família.
O mal da violência ainda não foi afastado, principalmente depois que encontrou na pobreza e na pólvora suas melhores companheiras. Por isso talvez nunca deixe o meio social.
È certo que as leis frearam em parte as condutas ilícitas, mas o drama somente será minimizado quando o senso de moral voltar a pairar sociedade. Um dia talvez se descubra que o derramamento de sangue, a omissão do Estado e a guerra civil só geram caos e subdesenvolvimento. Talvez se descubra tarde demais.



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Quarta-feira, Agosto 18, 2004

Ninguém desmerece o papel da imprensa e sua relevância no meio social, uma vez que a melhor forma de transmissão de informações ainda provém dos prédios editoriais. A internet avança vertiginosamente, é verdade, como a televisão está presente em boa parte das residências, mas a imprensa escrita está longe de passar a coadjuvante. Basta observar o crédito que certas editoras e jornais adquiriram junto à população para vermos seu poder de alcance, bem como olhar de manhã o exterior das bancas de jornal, em que sempre há alguns transeuntes olhando as manchetes fixadas sob o vidro.
A imprensa sempre foi o veículo voltado para a massa, bastando para tanto por essa razão regimes autoritários sempre buscaram controlá-la, seja com pesada tributação sobre o papel, seja mesmo mediante força. O líder bolchevique Lênin tinha plena noção da capacidade da imprensa na transmissão de idéias e tratou de controlá-la para trabalhar a seu favor. Em Cuba há apenas um jornal em circulação, prova de que certos resquícios totalitários ainda estão por aí.
Um deles foi encontrado no Brasil, em um projeto de lei enviado ao Congresso para a criação de um Conselho Federal de Jornalismo que de imediato teve má repercussão não só nos corredores de Brasília, mas como em todas as agências e rede de notícias. Ao que parece o Presidente Lula tinha as melhores das intenções, mas na atual conjuntura a medida do governo foi bastante infeliz. Muito já se falou da Lei da Mordaça, aplicada ao Ministério Público, órgão de suma importância para a defesa da ordem social e dos interesses coletivos. O entusiasmo petista para a aprovação da lei foi no mínimo estranho aos olhos dos jornalistas, que agora se viram no palco de novas manobras de cunho político.
O PT mudou bastante ao chegar no Governo e passou uma borracha em muitas coisas que antes levantava bandeira. Não se sabe quando usará novamente a borracha, mas vem lutando para provar que não reescreverá o que fora apagado. A imprensa e a liberdade de expressão são pilares da democracia, razão pela qual qualquer tentativa de restringi-las significa tocar num vespeiro. Apesar da imprensa não ter acionado o alerta vermelho na hora do susto, chegou pelo menos a quebrar o lacre de segurança. Na próxima, certamente o botão será acionado e Lula aumentará seu rol de inimigos.



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Quinta-feira, Agosto 12, 2004

E lá se foi mais um Rock Gol. Eles devem gravar as partidas em poucos dias, porque os artistas não têm tanta disponibilidade assim, mas por dois meses quadro foi levado ao ar pela Mtv. O campeonato de futebol mais hilário que tem até que foi disputado e teve como vencedor o time dos Aranhas Negras.
A Mtv vem realizando a competição há dez anos e o programa atingiu um nível bacana. Os uniformes passaram a ser vendidos em lojas esportivas desde a edição passada e os senhores do microfone Paulo Bonfá e Marco Bianchi ganharam programa próprio aos domingos, no qual tratam basicamente de futebol.
A emissora existe desde a década de noventa mas apenas passei a acompanhá-la em meados de 1998. Dos canais de televisão aberta a Music Television é disparada a preferida pela molecada, não apenas por mostrar clipes, mas por ter o conteúdo mais agradável em termos gerais. A Mtv, indo além de um canal com apresentadores, fez com que o público passasse a considerá-los de casa. Volta e meia novos VJs são contratados e a rotatividade de programas é um dos trunfos que utilizam. Quando não é assim os apresentadores são invertidos na grade de programação, dando mais uma variada.
Dessa vez a informação vazou e muita gente já sabia que o combinado do Broz e Shaman havia vencido a décima edição do Rock Gol. Mesmo assim a parada foi muito boa e por pouco os Tamanduás não levaram o caneco.



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Segunda-feira, Agosto 09, 2004

Todo mundo tem medo de alguma coisa e o que para uns pode parecer bobagem para outros é motivo de pavor. Seja lá uma fobia ou não, a verdade é que o medo de escuro, de água, de altura, de aranhas ou de fantasmas vai ter sempre alguém para carregar.
Medo de dentista eu nunca tive, apesar de não ter conhecido ninguém até hoje que gostasse da maldita broca, vulgo motorzinho, mas de hospital não gosto de passar perto. Não é medo do lugar, porque aí seria exagero, mas do ambiente carregado que afugenta. É gente quebrada, criança chorando, guarda com cara de azedo, demora no atendimento, cheiro forte de remédio e por aí vai. De vez em quando uma sirene ao fundo, avisando que mais um todo esfolado acabou de chegar.
Brincadeiras à parte, todo mundo deve saber dar o devido valor ao hospital, seja ele público ou particular, bem como a todos que nele trabalham, pois nunca se sabe quando precisaremos dos serviços ali prestados. Médicos, enfermeiras, auxiliares, todos fazem do hospital um lugar de recuperação e de luta pela vida. A morte também ronda o local, trilha para a qual todos rumam inevitavelmente, mas nas maternidades está a felicidade das famílias. Vi de perto quando levei minha tia para ter bebê.
A cena descrita foi a que me deparei quando quebrei meu braço há muito tempo. Criança travessa às vezes só aprende quando se ferra. Certamente foi aquele dia estranho que me deixou com uma imagem esquisita sobre hospitais. Mas depois que chega juízo nas cabecinhas pueris as coisas se arrumam naturalmente.
E pensar que tem gente com medo de vaga-lume...



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Quarta-feira, Agosto 04, 2004

Apenas me lembro que foi no começo de agosto. A culpada certamente foi a Priscila já que era avesso a esse negócio de blog. Mas a curiosidade em saber como seria ter uma página e a vontade de criar algo um pouco diferente foram maiores. Nascia então o Free your mind.
Não há nada demais em completar um ano de estrada, mas quando a gente não pretende muita coisa e apenas deixa rolar, só nos resta rir no final quando algo do tipo acontece.
Talvez esqueça de alguém mas já passaram por aqui Anne, Elisa, Naty, Pri, Lívia, Bruna, Aline, Biyanca, Sandra, Luciana, So Wing, Paula, um idiota que assinava com alguns interrogações, Rachel, Thaís, Tiago e mais os comédias que não registraram a visita.
Fica aqui o nosso agradecimento a todos, e vamos que vamos porque a batalha continua. Aquele abraço hahaha...



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Quinta-feira, Julho 29, 2004

As ruas estão repletas de placas e cartazes de candidatos. Seja candidato a vereador, deputado ou prefeito, todos aparecem sorrindo, tentando talvez que pela inocência de uma foto agregada a um número, possam ingressar em algum cargo público.
Não queremos aqui desmerecer nenhum candidato, tampouco jogar tomates na democracia, mas apenas apontar fatos que muitas vezes acontecem em época de eleições, no caso as municipais.
A poluição nas ruas é incrível e é difícil encontrar algum poste sem algo nele fixado ou muro sem algum cartaz colado. Sempre a mesma coisa... um rosto sorridente, um número e às vezes uma frase chavão.
As coisas poderiam ser mais organizadas, menos prejudiciais à cidade e mais dedicadas ao convencimento do eleitor. Infelizmente não vemos panfletos com as idéias dos candidatos, nem projetos ou formação profissional. Quando muito um alusivo vote na senhora tal ou no não-sei-lá-quem do bairro tal. Não se deve votar em quem mal entende o funcionamento do Estado, que às vezes nem sabe o que os vereadores fazem e sequer tem alguma idéia ou projeto viáveis.
A população deveria estar atenta nas eleições, pois não faz idéia da real importância do voto. Além do mais, a Federação é formada por Estados, que por sua vez são constituídos por Municípios. Para tudo nessa vida se faz necessário uma base sólida para se construir algo; não é diferente para o crescimento do povo enquanto nação, razão pela qual a partir das pequenas unidades federais é que a boa organização política deve começar. Afinal de contas, já era para todos saberem que a mudança não vem de cima, mas da própria sociedade.



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Quarta-feira, Julho 21, 2004

Puxa vida, isso aqui está mesmo jogado às traças, mas nas férias tal fato é perfeitamente escusável. Em todo o caso, ainda há o velho e bom icq. Pode mandar mensagem que irei respondê-la... A propósito, não é sempre que fico no invisível como já reclamaram; de vez em quando temos exceções.
Então juízo crianças porque o mês de agosto está se aproximando. Qualquer hora dessas venho retirar a poeira.



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Terça-feira, Julho 13, 2004

Muito já se falou que a desgraça da humanidade é a religião. Os partidários da idéia afirmam que religião gera discórdia, conflitos civis e até mesmo guerra entre povos tidos por pacíficos. Para a maioria a religião ainda se traduz na busca da paz, em um estilo de vida, na fé em um ser Todo Poderoso e criador de todas as coisas etc. Cada pessoa tem uma cabeça e diversos são os entendimentos.
Embora a religião possa levar a distorções graves, capazes de culminar em atentados terroristas, a liberdade de crença não deixa de ser um direito fundamental.
Todos se dizem detentores da verdade, mas a verdade é só uma e ela está presente na Bíblia. O grande nó da questão é a problemática humana de procurar meios para justificar tudo, razão pela qual questionar e negar algo desde o princípio é mais fácil e vantajoso do que aceitar e aprender com os ensinamentos de Cristo.
em outras palavras, é mais fácil desvirtuar um livro que existe há séculos do que procurar crescer como ser humano e abrir o coração àquele que deu a vida pelos pecadores.
De fato a raça humana não vale nada e do pouco valor que se dá às Igrejas, sobrará menos ainda, pois parece que na Europa surgiu até mesmo o culto online. Do jeito que as coisas se propagam, principalmente aquelas que são criadas em nome da economia de tempo, não demorará muito para que todo o ocidente acate essa e outras medidas isolacionistas, que cercam o crente e minam a pregação da mensagem cristã. Enquanto isso o bloco islâmico permanece maciço, de fácil ramificação e perigosamente instável.



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Terça-feira, Julho 06, 2004

Como já dizia o falecido Regan, o governo mais atrapalha do que ajuda. Certo acho que ele não estava, pois a história comprova que idéia não é uma verdade absoluta. Embora o Estado não seja capaz de conferir segurança aos cidadãos e manter a paz social, o sistema representativo ainda é o melhor caminho. O americano só quis ser simpático, coisa que em política redunda em votos.
A representatividade deve ser proporcional pois do contrário vira bagunça. Não faz sentido a existência de muitos governantes para poucos governados e finalmente esse raciocínio chegou ao Congresso Nacional. Apesar dos vereadores não pertencerem ao Executivo, os senadores trataram de aplicar a razoabilidade a uma situação vigente no país, que é a presença de muitos vereadores nas Assembléias Legislativas de cidades pequenas. As cidades com menos de um milhão de habitantes devem ter de nove a vinte e um vereadores, e o que tem ocorrido é a opção pelo número máximo ou próximo a ele, tal como uma cidade grande. Portanto, não é à toa que o povo lança comentários do tipo que há gente demais mamando nas tetas do governo.
Caramba, em uma nação onde cada dólar vale ouro, toda a forma de cortar gastos desnecessários é louvável. Mais de meio bilhão de reais deixarão de escorrer pelo ralo com o corte de mais de oito mil vagas.
Em países como Canadá e Suécia, o Estado abocanha quase todo o rendimento do sujeito, mas o devolve na forma de prestação de serviços, custeando toda a parte de educação e saúde dos contribuintes. Quem sabe um dia o mesmo aconteça por aqui, mas por enquanto e com certeza por mais um bom tempo, essa realidade permanecerá sendo apenas mais um dos sonhos genuinamente brasileiros.



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Quinta-feira, Julho 01, 2004

Tem gente que passa mal por causa de coisas simplórias para a maioria, tais como ver uma barata, uma fruta estragada, um pão com bolor ou uma criança com a fralda suja. Em um grau mais elevado, ainda há aqueles que surtam de raiva ou exageram na comemoração com a vitória do time de futebol.
Sou desses que gostam de disputar e ganhar tudo. Perder faz parte, mas a gente deve sempre tentar vender caro a derrota, sem prejudicar ninguém para tanto.
Infelizmente as coisas não funcionam assim na sociedade, tanto é que por causa de disputas justas ou até medíocres tem gente levando tiro ou garrafada na cabeça, tudo por ninharia.
Enfim, uma coisa é gostar de futebol e saber como torcer. Outra já é descambar para a violência, ir para porta de clube encher o saco ou apedrejar vidraças.
O São Paulo foi eliminado da Libertadores e agora o Flamengo perdeu a final da Copa do Brasil para o Santo André. Mesmo com meus times levando ferro não há razão para desespero, não entendo como tem gente que após um mau resultado até bate na mulher. Além do mais, ganhando ou perdendo o salário dos atletas permanecerá o mesmo, os treinos continuarão e novas partidas serão feitas durante o ano.
A cambada precisa entender que todos não podem ser vencedores ao mesmo tempo, e até mesmo aqueles que não gostam de perder nem par ou ímpar, entender que jogo é simplesmente jogo, e que mais legal do que torcer é jogar.



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Domingo, Junho 27, 2004

Sempre que se chega ao termo final de uma sucessão de atos ou período é de praxe dizermos que as coisas passaram voando. A verdade é que enquanto as águas estão rolando vive-se uma correria danada, na qual cada um adianta o seu lado da melhor forma, para que no final das contas, com a cara mais limpa do mundo, apesar de não ter acontecido, possa se admirar achando como passou rápido.
Bom, esse semestre foi de lascar e graças a Deus foi possível agüentar o tranco.
Felizmente estamos batendo às portas do mês de julho, sinônimo de aproximação das férias e chegada a hora de dizer que as coisas passaram rápido. Parabéns a todos que venceram essa primeira bateria... do lado de cá, mais uma prova e o primeiro semestre já era!

O tempo é algo que não volta atrás, portanto, plante seu jardim e
decore sua alma ao invés de esperar que alguém lhe mande flores. (William Shakespeare)



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Quinta-feira, Junho 24, 2004

Cada uma que inventam...

Estudo importante:
a) No Japão são consumidas poucas gorduras e o índice de ataques cardíacos é menor do que na Inglaterra e nos EUA;
b) Por outro lado, na França se consome muitas gorduras e ainda assim, o índice de ataques cardíacos é menor do que na Inglaterra e nos EUA;
c) Na Índia, se bebe pouco vinho tinto e o índice de ataques cardíacos é maior do que na Inglaterra e nos EUA;
d) Na Espanha se bebe muito vinho tinto e o índice de ataques cardíacos é menor do que na Inglaterra e nos EUA;
e) Na Argélia se transa muito pouco e o índice de ataques cardíacos é maior do que na Inglaterra e nos EUA;
f) No Brasil se transa muito e o índice de ataques cardíacos é menor do que na Inglaterra e nos EUA;
CONCLUSÃO:
Beba, coma e transe sem parar, pois o que mata mesmo é falar inglês! Eu já parei meu curso!



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Segunda-feira, Junho 21, 2004

Sabe-se que a Agência Brasileira de Inteligência tem em sua estrutura mil e seiscentos funcionários. Desse número é possível se partir para algumas conclusões. A primeira é a de que o número é inexpressivo para o quinto maior país do mundo em extensão territorial, revelando certa falta de ambição. A segunda, a de que um orçamento de quarenta e dois milhões de dólares anuais é irrisório, capacitando talvez apenas para operações internas, pois México e Argentina têm muito mais funcionários e o dobro de recursos. A terceira, que talvez na atual conjuntura, o dinheiro poderia ser aplicado em outras coisas mais urgentes, pois duvido que a segurança nacional seria afetada. Ora, é uma mixaria para realizar arapongagem, ainda mais se for para evitar que o país seja alvo de algum complô, atentado, invasão ou seja lá o que for que a ABIN procure tutelar.
Os americanos têm um orçamento anual de quatro bilhões de dólares com o serviço de inteligência. Embora o número seja aterrorizante, dá para se ter idéia do que a CIA é capaz de arquitetar em qualquer parte do globo, ou mesmo fora dele, com o auxílio de satélites espiões.
O difícil é aceitar que seus relatórios e demais informações do Pentágono tenham sido maculados para justificar uma guerra que só deu frutos ruins até o presente momento. Como certa vez disse um jornalista, salvo engano uruguaio, se o Iraque fosse uma nação famosa pela exportação de rabanetes ninguém teria se importado em libertar seu povo.



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Quarta-feira, Junho 16, 2004

Não é nenhuma novidade que a grande quantidade de leis existentes no país não indica que as mesmas são cumpridas. Infelizmente no Brasil, há inúmeros textos legais que praticamente se tornaram letra morta, embora vigentes. Isso não ocorreu porque o descumprimento corresponda à impunidade, mas porque certos fatos são tolerados pela sociedade e não são levados ao conhecimento das autoridades. Para agravar o quadro, várias infrações são cometidas sem nem mesmo o indivíduo saber que consumou um delito.
A Lei de Contravenções Penais, na essência um decreto-lei de Getúlio, contém alguns artigos que retratam o cotidiano urbano. O fato de servir bebida alcoólica a menor de dezoito anos ou a quem já estiver embriagado pode acarretar até um ano de prisão simples. A conduta de perturbar alguém, o trabalho ou o sossego alheios, seja com algazarra ou com abuso de instrumentos sonoros é apenada com prisão simples de quinze dias até três meses, ou multa.
Embora o Poder Legislativo se esmere em regular a sociedade, nem sempre os preceitos inovadores da ordem jurídica são obedecidos. Até mesmo a Constituição Federal, fruto do trabalho da Assembléia Nacional Constituinte, contém certas normas que não são fielmente respeitadas desde 1988.
Hoje a grande polêmica no Congresso Nacional gira em torno da aprovação pelo Senado do valor do salário mínimo proposto pelo governo.
Quando o PT era oposição muito barulho era feito para que o mínimo fosse aumentado. Não apontavam meios e recursos, apenas exigiam um aumento significativo. Talvez não tivessem a consciência das conseqüências que cada real aumentado é capaz de produzir no cofre público, mas sabemos que tinham consciência e mesmo assim bagunçavam para mostrar serviço e importunar a base governista. Hoje o cenário se inverteu. Quem era situação agora está avacalhando nos corredores do poder com os planos do PT, mesmo sabendo que isso prejudica o país, pois o que mais interessa é o pleito eleitoral de 2006.
Tudo não passa de politicagem e o povo sabe que nada de surpreendente irá acontecer. Nada que mude efetivamente sua vida, pois não são com R$ 260,00 ou R$ 275,00 que a Constituição será respeitada, embora um pequeno avanço seja dado.
Parece piada, mas o salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, deve ser capaz de atender as necessidades vitais básicas do trabalhador e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim.
Assim preceitua o artigo 7º, inciso IV da nossa CF.



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Sábado, Junho 12, 2004

Enfim, the Valentine´s day...



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Quarta-feira, Junho 09, 2004

A morte de Ronald Reagan foi o recente motivo de lamento para os americanos. A perda do 40º presidente, recebida com grande pesar, foi lamentada por Margaret Thatcher e por outros no meio diplomático. Segundo a ex-primeira ministra o mundo perdeu um herói.
Embora a história do ator-político seja marcada por alguns escândalos e críticas de que só sabia combater os comunistas, Reagan foi o braço forte que conduziu a nação à vitória na Guerra Fria.
O fato que ninguém percebe ou finge não notar é o de que os americanos estão envolvidos em guerras há anos, sendo que no século passado marcaram presença nas duas guerras mundiais, no Vietnã, na corrida armamentista contra os soviéticos e em Kosovo. Estão no Afeganistão e por fim, no Iraque.
A prosperidade econômica americana foi construída, em boa parte, na base da porrada. Seria hipocrisia dizer que os americanos realmente não colocaram as coisas em ordem, pois sem a intervenção da superpotência ocidental, apesar dos excessos, a desgraça atual poderia estar ainda pior. Resta saber quem serão os próximos heróis.



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Quinta-feira, Junho 03, 2004

Pobres argentinos, acabaram levando outra bucha do Brasil, 3x1 dessa vez. Um país que mal consegue se levantar, praticamente de quatro diante dos credores, tão carente de boas notícias e com a economia em frangalhos.
Pobre Argentina, que deposita no futebol o pouco do orgulho que lhe sobrou após ter perdido boa parte da áurea e do espírito europeu do começo do século, sem mencionar a derrota militar nas Malvinas.
Pobres hermanos, eliminados ainda na primeira fase da Copa passada, a mesma a qual seus rivais brasileiros se sagraram pentacampeões mundiais. Pobres dançarinos de tango, que dentro em breve perderão também a Libertadores para o São Paulo.
Apesar de tudo, não chore Argentina. O filme mostrando a trajetória e os gols de Pelé já foi produzido, dando a oportunidade para que toda a geração que não o viu jogar conheça-o um pouco mais. A propósito, se o astro nacional não soube dar bom exemplo sucumbindo ao mal das drogas, ainda há tempo de o tirarem do altar ridículo em que o colocaram. O esporte dignifica o atleta, mas o atleta pode, além de engrandecer o esporte, ser capaz de honrar uma nação. Pelé conseguiu.



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Domingo, Maio 30, 2004

O alerta amarelo norte-americano não tranqüiliza a população. Não importa a cor que as autoridades determinem, o medo permanecerá. Embora o nível indique que a situação não está normal, mas relativamente sob controle, as eleições e as festas que reúnem grandes aglomerações são apontadas como alvos potenciais.
A que causa temor na cúpula da Casa Branca é a possibilidade de milhares de cidadãos perderem a vida dentro do próprio território. Enquanto os soldados morrem no Oriente Médio, o prejuízo social tenta ser justificado, mas os americanos puritanos não suportarão outro atentado de grande comoção social.
Com a revelação das torturas praticadas contra prisioneiros iraquianos, mais combustível foi jogado na fogueira da guerra ao terror. As dificuldades têm crescido e relatórios indicaram que terroristas os terroristas não cessaram as atividades nos Estados Unidos apesar da restrição nos aeroportos. A questão é saber se os órgãos nacionais serão capazes de impedir outro trágico incidente. Mais uma mancha na história da humanidade está para acontecer, seguida talvez de ainda outras tantas. Resta saber se será mais uma pulverização de pessoas ou uma exposição de membros humanos espalhados pelo chão, como aconteceu nas linhas férreas de Madri.



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Terça-feira, Maio 25, 2004

A missão da comitiva brasileira à China parece estar dando bons resultados. Já se confirmou importante acordo envolvendo a Vale do Rio Doce, que expandirá ainda mais seus horizontes ao explorar minérios em território chinês.
Indústrias ligadas à atividade pecuarista também encontraram boa receptividade e a exportação de carne brasileira para o mercado chinês será certamente mais expressiva. Os produtos agrícolas e o setor de construção civil também deverão figurar em interessantes acordos.
Enfim, tirando o tráfico de entorpecentes e armas, tudo que gere divisas para a nação é motivo de alegria. O Brasil tem até um PIB considerável, mas ele não está nem perto do que poderia efetivamente ser. Já fomos ultrapassados pelo México e movimentamos apenas 1% do comércio mundial, muito pouco para uma nação próspera e de proporção continental.
Trazer investimentos e aumentar as exportações são bandeiras políticas que devem ser defendidas como se guerra fosse. A economia chinesa vem crescendo em ritmo forte ao passo que beiramos a estagnação. Há muito a ser feito para chegarmos ao primeiro mundo, é verdade, mas a nação de 29 milhões de desdentados ainda pode sorrir.



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Domingo, Maio 23, 2004

A mais bela das panteras de Charlie está encantadora em Como se fosse a primeira vez. Só por ela o ingresso já estaria pago, mas o filme é uma comédia romântica muito legal também.
Estava mesmo precisando levar meu irmão para dar umas voltas e fazer algo diferente no fim de semana. A diferença de idade diminui o leque de opções, mas um dia a diferença acaba desaparecendo.
Quando se é o primogênito as coisas tendem a ser descobertas com mais dificuldade, de modo que as rédeas demoram mais a ser afrouxadas. Como irmão mais velho surge a oportunidade de abrandar o rigorismo aos mais novos, dentro de certos limites obviamente, mas essa é indiscutivelmente uma vantagem que eles levam. Aliás, são essas ocasiões as melhores para serem passadas as orientações, porque de conselho... hã, de conselho a vida está cheia.
Todos falam que a família é a base de tudo; então a manutenção dos pilares é dever mútuo e essencial aos integrantes. Um pouco de atenção não tem preço, ainda mais nesse mundo tão conturbado.



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Quarta-feira, Maio 19, 2004

Não sei quanto aos outros países, mas no Brasil há um costume que pelo visto se institucionalizou e talvez seja irreversível. Observando o calendário nacional percebe-se que quase todo o dia é dia de alguma coisa. Trata-se da idéia de atribuir um dia especial a diversas pessoas, atividades e por aí vai.
O mês de maio, a título de exemplo, chega a ter datas em que se comemoram três coisas. Dia 03 foi Dia do Sertanejo, dia 07 foi Dia do Silêncio, dia 10 foi Dia da Cozinheira, dia 13 foi Dia do Automóvel e o dia 16 foi Dia do Gari. Dia 24 será Dia do Detento e, no dia seguinte, Dia da Indústria, do Massagista e da Costureira.
Fora essas datas nacionais, há as datas em que se comemoram os Dias Mundiais, que vai do Dia Internacional dos Objetores de Consciência ao Dia Mundial do Comissário de Bordo, dias 15 e 30 respectivamente.
Do jeito que o anseio por uma data simbólica cresceu, talvez se institua o Dia da Cachaça, encaixando-o também no já sobrecarregado mês de maio. Todo mundo soube da derrapada que o Governo deu em expulsar o jornalista do New York Times. É verdade que o correspondente norte-americano pecou em sua reportagem, porque não existe preocupação nacional quanto ao hábito de beber do Presidente, menos ainda de que isso prejudicasse suas decisões. Todavia, o Governo derrapou por ter extravasado na resposta, pois poderia ter buscado algum tipo de reparação judicial já que o Presidente é chegado do copo, mas não tanto quanto Larry Rohter maldosamente comentou.
A forma de encarar as coisas é bem simples. Se os homens públicos não querem ser alvejados por notas daquele tipo, basta não dar motivos para tanto. Certas condutas realmente não são compatíveis com determinados cargos e funções e, mesmo que não venham a prejudicar o exercício, o desgaste da imagem do titular é inevitável.
Na mídia, uma foto pode valer muito mais que palavras. Um pouco mais de cautela e moderação não teria dado margem às insinuações.
De qualquer forma, quem sabe né, fica a sugestão... dia 13 de maio, Dia da Cachaça.



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Domingo, Maio 16, 2004

Dos tantos episódios interessantes na História, a questão dos antigos conflitos bélicos sempre me despertou especial interesse. O homem sempre derramou sangue irmão, pois as guerras eclodiram em diversas épocas do progresso da civilização, demonstrando que a paz não sobrevive nem à base de alianças.
A leitura do livro A Canção de Tróia tempos atrás foi útil para a compreensão do conflito entre gregos e troianos, bem como da genealogia dos principais personagens. A mitologia envolvida torna intrigante a história dos heróis.
Assim como Harry Potter e Senhor dos Anéis, que mexem bastante com a imaginação, as pessoas tendem a querer ver na tela o desencadeamento dos fatos do jeito que formularam. É por isso que tem um monte de crítico sem noção pichando produções de qualidade.
Há quem não aprecie a versão do famoso cavalo de madeira, o falso presente que culminou na derrota troiana, mas a sacada é mostrar o caráter do ser humano, que para alcançar seus objetivos é capaz de valer-se de todos os meios insidiosos possíveis.
Como as Guerras do Peloponeso e Púnicas, envolvendo Antenas e Esparta e Roma e Cartago, respectivamente, não serão objetos de filme, Tróia ganhou um brilho que certamente se converterá em Oscar. Mesmo não seguindo totalmente o livro, o filme é sensacional.



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Segunda-feira, Maio 10, 2004

Nunca gostei do senhor Paulo Salim Maluf. Não acho graça no seu jeito de falar e nem do modo como trata a cidade de São Paulo, como uma filhinha que ajudou na adolescência. Talvez em seu coração, por assinar parte do nome da cidade em seus documentos, tenha criado laços afetivos com o poder paulista. De fato Maluf realizou importantes obras, que tiveram repercussão no âmbito nacional, mas esse é apenas o lado belo da história. Foram essas mesmas obras que ligaram a ele a popular expressão rouba mas faz.
A questão é que finalmente o ex-prefeito de São Paulo foi encostado na parede com as descobertas do Ministério Público e as revelações daquilo que veio negando há anos, quer seja a existência de contas no exterior. Ora, ora... os valores que circularam em contas na Suíça e na Ilha de Jersey são vultuosos e dignos de chamar a atenção, mesmo para um senhor cujo patrimônio familiar, ainda que milionário, seja oriundo de heranças e atividades empresariais.
A suspeita vem de longa data, em razão do superfaturamento de obras e manobras estranhas com o dinheiro público, mas nada está comprovado a ponto de aplicar-lhe alguma sanção, mesmo porque no nosso Direito vigora o estado de inocência. As investigações permanecem e creio que os advogados do senhor Maluf terão muito trabalho pela frente, ante a quantidade de material a ser justificado.
A corrupção deveria integrar o rol dos crimes hediondos, uma vez que causa repugnância, nojo e repulsa à sociedade vítima. A coisa já está difícil para todos, ainda mais quando verbas são desviadas para beneficiar um clã ou uma minoria de laranjas. São todos uns traidores da Pátria. (cuspe)



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Quinta-feira, Maio 06, 2004

A reforma agrária é uma ferida que nunca se cicatrizou em nosso país. O problema é semelhante aos machucados. Quando se pensa que as coisas estão caminhando bem, alguém dá uma porrada bem em cima e mais tempo levará para sarar.
No governo FHC muitas famílias foram agraciadas com lotes de terras, mesmo afastados dos grandes centros, sem energia elétrica e água encanada, mas receberam. A propósito, no Brasil, os dados não consideram algo satisfeito quando por completo, para tanto basta uma medida paliativa naquele sentido e o programa já é um sucesso.
A existência do MST mostra o nosso atraso, nossas falhas estruturais e a dívida social que perdura desde a abolição da escravatura, sendo que hoje vigora uma verdadeira guerra no campo, na qual proprietários defendem suas terras ante a dificuldade do Estado em assegurar o direito constitucional à propriedade privada.
Infelizmente há muitos espertalhões infiltrados no movimento, que tentam obter algum recurso no meio da bagunça. Sabe-se que uma área do tamanho do território italiano já foi distribuída, mas os efeitos positivos nunca são vistos. Muitos daqueles que recebem um lote dão destinação diversa da que outrora defendia ao invadir fazendas. Aliado a essa fraude, o número de integrantes não pára de crescer.
Quando o indivíduo não visualiza uma solução, não arruma emprego e está sem perspectivas, mas também não quer ingressar no crime, se junta ao movimento. É assim que o MST encontra mais companheiros de causa. Vai desde os mais desesperados àqueles que querem lucrar com a desgraça alheia.
A ferida continuará aberta por alguns anos, pois corrigir a questão da terra envolve desde investimentos básicos à criação de condições de competitividade. Com o desenvolvimento tecnológico atual dos grandes produtores, as famílias mal conseguem sobreviver e as colheitas são para sua subsistência na melhor das hipóteses.
O jeito não é dar terra, mas sim dar educação, saúde e emprego. Os homens avançam quando crescem culturalmente. Seria muito lindo cada um com seu chãozinho e tal, tudo muito utópico, porque no capitalismo o esquema não é assim.
O clamor social é por um remédio de cura instantânea, mas isso não existe.
Creio que a saída no momento seria o incentivo à contratação desse povo. Está havendo um desperdício de mão de obra, pois ao invés do governo gastar milhões em desapropriações poderia destiná-los na criação de cooperativas, não só de agricultores, como de pescadores e pecuaristas, ou naquilo que fosse mais fácil de fiscalizar.
O que vemos é o dinheiro público sumir, mas se tal capital circulasse de maneira que o Estado investisse e comprasse a produção, um bom passo na pacificação do campo seria dado.



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Domingo, Maio 02, 2004

O câncer é a mais maldita das doenças. Assim como a Aids e os problemas cardíacos, ele vem afetando a população em escala crescente e acelerada. Entre os mais variados argumentos que o justificam, a genética demonstra que o indivíduo pode nascer com alguma predisposição para a doença, o que soa como um alerta vermelho àqueles que insistem em não se submeter a uma bateria de exames preventivos.
A alimentação irregular e a rica em produtos industrializados também levam ao seu desenvolvimento, mas a obtenção do equilíbrio está ao alcance de todos nós.
Em outros tempos o que mais afetava a população eram moléstias como a tuberculose, mas o quadro atual revela que os inimigos invisíveis estão cada vez mais letais.
A crítica que se faz é ao preconceito, este sim é um dos vilões. A descoberta tardia da doença dificulta grandemente a recuperação do paciente e, muitas vezes, isso decorre do preconceito, fruto do medo ou por acreditar que essas coisas só acontecem com os outros.
Infelizmente há mulheres que perdem o seio por desconhecimento ou por negligência, assim como o útero, no caso do câncer de cólon. Homens geralmente perdem a vida por infartos fulminantes diante do sedentarismo aliado à má alimentação, mas não raro são os casos em que se tornam vítimas do câncer de próstata.
Enfim, enquanto não existir a cura e não houver pacificação entre os laboratórios quando esta for descoberta, caberá a cada um zelar pela própria saúde. Nessa batalha em que os homens estão do lado mais fraco, derrubar o preconceito provoca uma grande baixa ao inimigo.



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Sábado, Maio 01, 2004

Subiu as escadas empoeiradas do cortiço, andar por andar, com cada vez mais dificuldade. O álcool, seu amigo de tanto tempo, mostrava um pouco do seu perverso poder sobre a saúde maltratada.
Com esforço chegou ao terraço e sentiu a friagem da madrugada de inverno. Por instinto recuou ao abrigo da escada abafada, onde acendeu um cigarro. Tornou a sair e caminhou à margem do velho edifício do século XIX. Não notou movimentação na rua mas escutou ao longe uma sirene policial. Observou alguns mendigos que dormiam próximo ao beco por alguns minutos.
Um ruído chamou-lhe a atenção. Perto de si encontrou uma pipa que balançava agarrada à antena. Lembrou-se de quando era menino e da época em que, no terraço da casa da avó, costumava soltar pipa com os primos durante as tardes. Deixou-a presa ali mesmo, como se não quisesse causar mais nenhuma modificação externa.
Fumou um último cigarro, mas antes que este terminasse, mergulhou em meio à escuridão.
Os trabalhadores da cerâmica local encontraram o corpo ao amanhecer; a indiferença só perdia para a curiosidade de alguns. Embora a cena fosse repugnante, ninguém espantou os cães que lambiam-lhe a face.
Os mendigos cobriram o corpo com as folhas de jornal que utilizaram para se aquecer. Ali, sob olhares desconhecidos, Zé Venâncio permaneceu, deixando órfãos dois meninos que dormiam angelicalmente e um bebê amamentado pela mãe, que observava do alto através da janela embaçada, a estranha movimentação da vizinhança.



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Domingo, Abril 25, 2004

Há décadas o Brasil vem reclamando um assento no Conselho de Segurança. Ora, não há nem o que se cogitar sobre isso. Mal cuidamos da nossa segurança e problema internos. O fato de nos metermos em sérios conflitos alheios seria uma grande hipocrisia.
O Rio de Janeiro novamente deu um show à parte para a nação e para o mundo, justamente em mais um conflito no coração da favela da Rocinha. São poucas as notícias que vazam do país e, quando veiculadas nos canais e jornais estrangeiros, geralmente são baldes de água fria que tiram pontos importantes do nosso conceito.
A batalha se deu entre grupos de traficantes da própria Rocinha e outro morro, disputando nada mais nada menos que uma preciosa fatia do mercado de entorpecentes da cidade.
Todos sabem que quem banca o tráfico são os consumidores, normalmente jovens das classes média e alta. Esses imbecis além de se estragarem, fomentam o armamento, o tráfico e a violência. Tornam-se além de dependentes químicos, um problema para a família. Patrocinam o aumento do número de vítimas e a instauração da insegurança.
Tudo bem que as pessoas adoram culpar o Estado, que tem inúmeras falhas e atua fracamente, mas o consumo de drogas é oxigênio dos traficantes e existem vários dados técnicos sobre o assunto.
Certa vez um amigo comentou que a solução para o meu Estado seria lançar bombas atômicas sobre a capital carioca. Não saímos na porrada, imagina, mas espera lá né... não é por aí também. O jogo está difícil para as autoridades competentes, como sempre esteve, mas ainda é possível administrar e reverter a situação.
O problema das drogas é mundial e vem sendo um páreo duríssimo enfrentar o narcotráfico internacional, uma economia que gira em torno de quatrocentos bilhões de dólares por ano.



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Segunda-feira, Abril 19, 2004

Não faz muito tempo divulgou-se a notícia de que um barco holandês vem atracando nos portos de alguns países com o objetivo de levar gestantes para o alto mar. Não se tratava apenas de um passeio marítimo, mas sim de uma manobra para burlar as leis dos países visitados.
O barco é tem em sua tripulação alguns médicos que realizam abortos em águas internacionais, fora de qualquer jurisdição. Assim, ao levarem consigo mulheres grávidas, evitam a legislação proibitiva do país visitado. Acho que já deu para juntar as pecinhas...
O aborto é condenado pela Igreja, mas muitos países já o legalizaram. No Brasil ele é permitido quando a vida da gestante está em risco e não existir outra forma para salvá-la. Essa é a hipótese de aborto legal necessário, que pode ser realizado pelo médico ou pela própria gestante. Quando a gravidez decorrer de estupro, nosso Código Penal também abre a exceção para a realização do aborto, desde que a gestante ou seu representante legal manifeste previamente o consentimento para o ato. Claro que há mais detalhes e requisitos formais em ambos os procedimentos, mas, grosso modo, é mais ou menos isso, só para dar uma noção geral.
É triste saber que um barco esteja fazendo esse trabalho sujo, mas também é estranho exigir que uma mulher que engravidou mediante violência prossiga com a gestação contra sua vontade. Há um conflito de valores entre a preservação da vida e a dignidade da mulher violentada. Assim, a manutenção da vida de um ser inocente torna-se objeto de discussão, tendo seu destino traçado por alguma canetada normativa, por algum barco carniceiro em alto mar, pela rejeição ou pelo amor maternal.
E pensar que nada disso aconteceria se a desgraça não tivesse sido feita... é um ciclo vicioso, no qual sempre bateremos na mesma tecla, ou seja, tratar das conseqüências.



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Quinta-feira, Abril 15, 2004

Quando um abaixo-assinado chega às nossas mãos, não se deve sair colocando nome e o rg a esmo sem antes um mínimo de ponderação. Bom senso é o que falta muitas vezes nas pessoas, não que sejam leigas ou imaturas, mas porque agem em razão de impulsos emotivos assim que surge uma adversidade.
Há uma lista circulando por aí com o objetivo de coletar assinaturas para viabilizar um eventual plebiscito. O assunto em pauta seria a redução da maioridade penal, que se encontra na casa dos dezoito anos de idade.
A população está cansada de saber, assim como os legisladores, que a idade deveria mesmo ser reduzida. O grande problema é que não temos a estrutura para suportar o número de acusados e condenados nas casas de detenção, presídios e penitenciárias.
Em países de primeiro, nos quais a educação é um sólido pilar e o investimento estatal na área social é considerável, as crianças desde cedo aprendem seus direitos e deveres. Por essa razão, quando um jovem de doze ou treze anos comete um delito grave, ele é punido severamente, tal como um adulto. Isso também traz lá seus problemas, morais e éticos, mas os cidadãos crescem conscientes de como devem se portar no meio social e claro, o crucial, tendo plena noção de que não ficarão impunes.
Infelizmente em nosso país não poderíamos diminuir a maioridade penal para dezesseis anos, como pretendem os pró-plebiscito. O Brasil não tem estrutura carcerária suficiente e eficiente para comportar o número de presos.
É de conhecimento geral a situação atual do sistema, bem como as dificuldades enfrentadas pelas diversas Febens. Tais estabelecimentos padecem de superlotação, fugas e brigas internas por disputa de poder.
No fundo, embora não pareça justo tratar os jovens com severidade, a redução da maioridade penal contribuiria para a manutenção da ordem da coletividade. Hoje os tempos são outros, sendo mais do que óbvio que com treze ou catorze anos de idade as pessoas já têm boa vivência e noção do certo e errado pelo avanço social e dos meios de informação, o que dizer então daqueles com quinze, dezesseis ou dezessete anos na bagagem.
Enfim, o fato que é uma mudança desse porte na legislação não pode acontecer de um dia para o outro. As famílias das vítimas se revoltam com o sistema, com absoluta razão, assim como nós nos revoltaríamos se uma fatalidade dessas acontecesse conosco, mas a redução da maioridade penal precisa vir acompanhada de outras reformas. A falha social vem lá de trás e atua como uma bola de neve, atropelando a paz e a harmonia social. Para a mudança acontecer, seria preciso haver maior distribuição de renda, bem como investimentos em educação e geração de emprego.
As medidas apresentam resultados a longo prazo, demonstrando que já estamos atrasados. Portanto, não há que se falar em plebiscito se o Estado foi relapso e não criou condições de sustentabilidade. A coisa já está crítica com a maioridade aos dezoito e com os menores infratores sendo sujeitos ao Estatuto da Criança e do Adolescente e leis complementares.
Com passos de tartaruga as coisas vão melhorando: um dos cinco presídios de segurança máxima prometidos na época em que o Beira Mar foi preso está para ser finalizado...
Talvez no futuro as coisas estejam mais favoráveis, mas por enquanto defender a causa do plebiscito é uma trágica ingenuidade.



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Domingo, Abril 11, 2004

A cidade da euforia passou ao silêncio. Infelizmente o Paulista não suportou a pressão do São Caetano e sucumbiu ao placar de 3x1, que poderia ter sido ainda pior para os jundiaienses. Restam outros noventa minutos para o Galo buscar a inédita taça, o que será uma verdadeira batalha para o jovem time.
Agora o São Caetano pode até perder por um gol de diferença que ainda ficará com o título... mas se perder por diferença de dois gols teremos cobranças de pênaltis. Bom, foi assim que o time conseguiu eliminar Palmeiras na semifinal, então espero que o Zetti treine bastante as cobranças com os jogadores.
Dizem que futebol é uma caixinha de surpresas, mas a estratégia ainda é a maior de todas elas. Não importa que o título seja decidido nos pênaltis, mais sim a honra da conquista, e o Paulista não chegou por acaso. Além do mais, nós São Paulinos nos sentiríamos vingados com a derrota do São Caetano... Se cuida Azulão.



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Quinta-feira, Abril 08, 2004

O Iraque foi a cova para muitos soldados americanos. Embora tenham logrado êxito na ocupação do território,
ainda ocorrem emboscadas e fortes atentados à base de explosivos. Ao enfrentar a resistência de alguns grupos da população, os americanos estão percebendo que a presença em solo iraquiano nunca foi bem-vinda. Mesmo após meses, já livres do jugo ditatorial, o ódio permanece exaltado.
Dois soldados foram brutalmente assassinados e tiveram pendurados aquilo que sobrou de seus corpos. O crime foi praticado por uma multidão, constituída por diversos iraquianos enfurecidos, o que tornou o extermínio sumário inevitável.
A moral das tropas foi abalada pela truculência do acontecimento e certamente haverá retaliações. A verdade é que os americanos se meteram com um vespeiro, um povo atrasado e fundamentalista, sem muita noção de pátria e que sofreu a vida inteira. Eles apenas sabem que serviram de pretexto para a ocupação do território e que não querem mais as forças estrangeiras naquilo que lhe pertencem. Todavia, também é verdade que se o Iraque fosse deixado como se encontra, viraria terra de ninguém.
Portanto, na atual conjuntura, se ficar o bicho pega e se correr o bicho come.
Enquanto isso Bush vai tirando os eventuais proveitos políticos e econômicos da sua empreitada bélica, em um tabuleiro confuso onde vidas se perdem a cada vez que os dados são lançados.



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Domingo, Abril 04, 2004

A juventude de hoje enfrenta problemas que outrora eram em escalas menores, sendo óbvio que a falha está na educação, principalmente religiosa. Antes as família eram mais estáveis e os costumes preservados. Importantes lições de vida partiam de casa e os pais eram bem mais respeitados.
Isso não ocorreu em todos os lares, mas nas famílias em que os pais são ausentes a propensão para as drogas e para a criminalidade são indubitavelmente maiores. Como se já não bastasse, é corriqueiro o uso de antidepressivos por jovens, que desconhecem os efeitos colaterais dos mesmos.
A falta de amor e a escassez de diálogo no âmbito familiar configuram o princípio a decadência. A criança busca do lado de fora aquilo que sente falta e passa a confiar mais nos amigos. O jovem desconta a angústia nos outros e procura formas de maquiar o vazio interior. Muitas vezes o quadro é mais agudo e o comportamento passa a ser hostil para com os próprios parentes.
Há pessoas maravilhosas que não tiveram oportunidades na vida e nem uma família, em sentido amplo, e mesmo assim são felizes. Não se envolveram com drogas e nem se valeram de antidepressivos, o que mostra que os casos variam bastante. A força de vontade e a fé talvez sejam as soluções mais viáveis para tirar as pessoas da fossa. O apoio é fundamental, mas infelizmente este é geralmente buscado na figura de remédios. Não creio que a depressão seja doença, mas sim algo perfeitamente superável. Se há um considerável número de jovens cometendo suicídio porque perderam o sentido da vida, talvez seja o momento de olhar para trás e corrigir algumas imperfeições.
Assim como no combate ao crime, não se deve procurar apenas tratar as conseqüências, mas corrigir as falhas na origem do problema.



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Quarta-feira, Março 31, 2004

Nunca a crise atingira tal ponto. Após um tapa em seu rosto durante a leitura de uma mensagem no celular, extraordinariamente convocando-o para uma reunião, prometeu não mais procurá-la. Deixou sobre a mesa uma boa gorjeta para o garçom e abandonou o badalado restaurante da avenida principal. Com o choro preso na garganta, Rebeca viu a porta de vidro se fechar lentamente atrás dele. Daquela vez parecia o fim.
Rebeca não era mais a mesma. No último mês evitou sair e sempre arrumava desculpas para não visitar a família, e mesmo em datas especiais, preferia permanecer no apartamento da república. Sua fraqueza, até então encoberta por ela e pelas amigas, transformou-a em um ser extremamente possessivo e aborrecedor.
Ela não sabia, talvez por ter perdido um pouco da discrição, mas Bernardo já vinha desconfiando que seus bolsos eram revistados, assim como sua agenda aparecia borrada por prováveis lágrimas. Algumas amigas da empresa formalmente reclamaram de telefonemas grosseiros. O anonimato desapareceu quando sua secretária obteve o número da chamada na última vez em que foi importunada às duas da manhã.
A constatação não o surpreendeu, mas lamentava profundamente a atitude da amada.
Rebeca por sua vez aparecia poucas vezes na faculdade e pedia para que assinassem a lista em seu lugar. Suas amigas tentavam ajudá-la, mas os esforços em vão tornavam o ambiente ainda pior. As duas semanas de solidão que se seguiram foram as mais dolorosas e amargas dos seus breves vinte e dois anos. Certa noite, quando os remédios já não mais surtiam efeito e a insônia prevalecia, decidiu deixar a cama e dirigiu-se descalça até a cozinha.
Abriu a primeira gaveta do armário empoeirado mas não encontrou o objeto que buscava. Olhou para a pia amontoada de panelas e copos sujos e não teve dificuldade em encontrar uma faca engordurada no meio dos talheres que ali estavam.
Chorou sentada ao chão frio e encostou a lâmina em seu magro pulso. Muitas coisas lhe passaram pela mente, mas permaneceu estática por alguns instantes. Inspirou lentamente até encher os pulmões e fechou os olhos. O silêncio reinou na escuridão do apartamento, até ser quebrado pela campainha a tanto tempo adormecida.
O rosto pálido de Rebeca deu lugar a uma aflição que a fez corar de imediato. Abandonou a faca no azulejo e caminhou ainda assustada em direção à porta. Não receiou abri-la à medida que se aproximava. Embora com raciocínio abalado, não agiu maquinalmente. Estava disposta a qualquer fatalidade que o destino lhe reservasse.
Do outro lado, Bernardo a aguardava com um buquê de rosas vermelhas.
Os amigos ficaram contentes com a notícia, mas o filme parecia apenas se repetir. Apesar da adversidade de gênios, ainda não foi daquela vez o fim de um dos relacionamentos mais remendados que já se teve conhecimento.


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Sábado, Março 27, 2004

Quando a faculdade deixa de ser rigidamente teórica e passa a ser também prática, as coisas se tornam mais interessantes. O estágio traz o caso concreto e suas necessidades, mostrando que a frieza do papel não corresponde à realidade. Não há mais aquela formalidade de sala de aula, embora primordial para a condução do atendimento, mas sim o contato com a Dona Maria, lavadeira; com o Seu João, pedreiro; com a jovem mãe solteira e com senhores aposentados querendo receber valor junto ao INSS. Personagens hipotéticos, apenas a título de ilustração, mas que representam parcela dos cidadãos brasileiros. Na Justiça Gratuita os interesses são diversos, bem como o número de pedidos, mas poder ajudar é sempre animador, pois claramente se percebe a gratidão nos olhos das pessoas.
A Justiça brasileira é morosa, o que não é novidade para ninguém. Há processos que levam meia década ou mais até o julgamento. Ainda assim, da decisão em primeiro grau cabe recurso à parte vencida caso não se conforme com a sentença, o que acontece na maioria das vezes.
A reforma do Poder Judiciário está para sair, mas não se sabe ao certo quando. Muita controvérsia foi gerada, porém é consenso que a situação atual não pode permanecer. Afinal de contas, como se falar em acesso à justiça se o interessado não tem a resposta do Estado de imediato, ou em um espaço de tempo ao menos razoável? Em alguns casos o autor falece sem ver sua pretensão satisfeita.
Um dos pontos discutidos na reforma se refere à Súmula Vinculada. Com sua aprovação, o entendimento do Supremo Tribunal Federal quanto a determinados assuntos deverá ser seguido pelos Juízes de primeira instância. A idéia seria justamente desafogar a justiça, que se encontra cheia de longos processos e vasto número de recursos.
Enfim, enquanto nada se resolve o jeito é encarar a situação, já que a vida em sociedade está longe, muito longe de ser pacífica.



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Terça-feira, Março 23, 2004

A produção de energia pelo Estado é um demonstrativo de seu potencial econômico. Quanto maior a sua produção, como também a diversidade de fontes, mais viável torna-se o crescimento econômico. Isso porque o aumento populacional exige e o setor industrial necessita de grandes quantidades que progridem a cada ano.
O Brasil vale-se predominantemente da energia hidráulica e dos derivados de petróleo. O leque é um pouco maior, considerando as participações de outros recursos, mas o combustível fóssil ainda é o mais utilizado, não só aqui, mas como em quase todo globo. É de conhecimento geral que o petróleo é uma das fontes não renováveis, o que gera certa preocupação quanto ao atendimento da demanda. Embora o país esteja próximo de obter a sua autonomia, o que corresponde à capacidade de produzir todo o petróleo que se consome, isso não resolve a questão da falta de energia.
Pensando a longo prazo, já se sabe que o petróleo um dia irá acabar, então quanto menos se utilizá-lo mais tempo as jazidas durarão. A lógica é simples, mas o rítmo da economia não permite, por envolver a poderosa indústria automotiva, petroquímica etc.
Voltando à questão da falta de energia, é triste saber o Brasil ainda perde investimentos de grande ordem por causa disso. O custo da energia elétrica é caro e há o temor de racionamento. Para a manutenção estável do setor é preciso que chova nas áreas de produção, ou melhor, captação, e quando isso não ocorre o nível das represas caem consideravelmente. É o que vem acontecendo em São Paulo.
O país deveria apostar na energia nuclear, tão largamente utilizadas em países desenvolvidos. A Europa está cheia de reatores, mas os Estados Unidos devem possuir, sozinho, mais que o velho continente.
Enquanto não se desenvolve o setor, mesmo porque o investimento é da ordem de dezenas de bilhões, só nos resta economizar e conservar aquilo que temos. A tendência é o aumento da poluição, mas a preservação dos recursos naturais deve ser uma preocupação constante.
Todo mundo reclama da situação das coisas, que o mundo é isso ou que está aquilo. A verdade é que sozinho ninguém muda nada, mas o pouco que cada um pode fazer já ajuda a coletividade. E isso não é absurdo para ninguém, pois vai desde fechar a torneira enquanto se escova os dentes à participação do sufrágio universal.



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Sexta-feira, Março 19, 2004

É lamentável ver a cúpula do governo batendo cabeça, sofrendo além das críticas externas uma forte pressão interna. O PT sempre foi um partido reclamador, que votava contra as propostas do PSDB e sempre alfinetava a situação. Parece que de tanto agir assim, o uso do cachimbo deixou a boca torta.
Como se já não bastasse a crise por causa do assessor de Dirceu, o Ministro da Fazenda está se tornando a bola da vez. Não há razão para isso e é uma total falta de senso político-partidário criticar o rumo da economia atual. Esses lerdos não percebem que se trata de uma estratégia, de uma tacada do Palocci que certamente será frutífera a longo prazo.
O que irrita é ver que a situação brasileira vem se arrastando há anos, com o produto interno bruto crescendo magramente e faltando recursos para investimento, de modo que quando assume um governo, todos querem respostas imediatas. Promessas políticas nunca são cumpridas totalmente; não adianta arrancar os cabelos, o que adianta é votar bem, na proposta mais viável.
Em política não existe mágica, existe coerência. O governo está de mãos dadas com o FMI como jamais esteve antes, então não adianta cobrar resultados espetaculares, mas sim modestos. Lula pediu tempo e tempo lhe foi dado. Ele pedirá mais e mais deverá ser dado.
Críticas são válidas porque ajudam a reparar erros, promovendo uma edificação adequada, mas o que se tem visto são problemas pessoais, disputa de poder e rivalidade interna como núcleo das críticas. O interesse público acaba ficando em segundo plano, o que abala as estruturas nacionais e o mercado.
É injusto exigir que um governo conserte situações que resultaram de um somatório de políticas complexas e equivocadas. O justo é exigir que o governo faça o máximo para ajudar a consertá-las, e que os seguintes também lutem por isso. Não existe herói, existe seriedade política. Não existe salvador da pátria, existe governo competente e preocupado com o povo. A hora da colheita não chegou, mas ela há de chegar.



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Segunda-feira, Março 15, 2004

Vinte anos bem vividos é a conclusão que chego nessa virada de dezena. Graças a Deus muitas coisas boas têm acontecido e o fato de poder notar suas bênçãos para com a família apenas torna mais certo que nosso projeto de vida está nas melhores mãos, as do Criador. Que outros tantos venham pela frente e que tudo que me foi desejado lhes seja retribuído em dobro, pois vocês são demais.
Um abraço para os amigos do peito, para os meus camaradas e um grande beijo para as queridas amigas. Embora muitos não saibam da existência dessa página, que fique registrado assim mesmo. Valeu pessoal.



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Domingo, Março 14, 2004

Uma situação interessante é chegar da rua cansado e preocupado e encontrar o elevador com um doce perfume feminino. É um choque engraçado, que acalma o estado de espírito e faz o cara pensar em coisas absolutamente díspares daquilo que tinha em mente antes de abrir a porta daquele.
Como o prédio não é dotado de belas mulheres, a hipótese de ter sido alguma bonitinha é remota, mas o perfume acaba sempre deixando no ar, juntamente com sua fragrância, a dúvida: quem seria a dona dessa doce essência? Embora não se descubra, guardamos conosco certa gratidão.
A verdade é que ainda quando as coisas estão ruins não se justifica a entrega de uma estratégia, já que esta pode ser modificada.
Com o atentado em Madri houve uma enorme comoção social, mas nenhuma tragédia pode impedir ou intimidar o combate ao terrorismo. Dificilmente o responsável foi o ETA, e mesmo que o fosse, o atentado inviabilizaria ainda mais a independência territorial pelo grupo almejada. Não é matando civis que se conquista alguma coisa, mas talvez só eliminando os terroristas se evite isso. Todavia a estratégia unilateral está equivocada, sendo uma pena não termos peso material, e não apenas formal, para defender a mudança.
Se um simples perfume deixado para trás pode apontar uma saída, imagine o poder de uma palavra amiga quando vinda em bom momento; ou melhor, imagine o que os esforços conjuntos são capazes de construir e transformar. A revolta mundial trouxe ao ar uma espécie de perfume que aguçou a busca pela paz. Só espero que isso não dê fôlego aos falcões do governo norte-americano e venha a influenciar os eleitores na hora das próximas eleições.



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Quinta-feira, Março 11, 2004

Parece que o template do Linkin já era, pois pelo que consta a menininha que o criou teve problemas com o blogger; mas seja lá o que for, esse aqui irá quebrar o galho por uns tempos.
A questão é que a brincadeira de escrever ficou complicada em razão dos novos compromissos. Calma... não precisa se lamentar. Certamente haverá alguma coisa por aqui de vez em quando.
Esses dias foi aniversário da sogrinha e graças a um telefonema uma neblina se dissipou. E ainda tem gente que reclama por eu quase não usar o telefone... tá certo que a linha serve mais para a net, mas tem o celular ora bolas. O esquema das mensagens é barato, é só dar um toque que darei o retorno, seus mãos-de-vaca.



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Terça-feira, Março 09, 2004

Tentei fazer isso antes de encerrar o dia mas acabou não sendo possível. Chegar tarde da faculdade tornou-se uma rotina com aquela confusão no trânsito, tamanho o número de veículos na saída.
De qualquer forma parabéns às mulheres pelo seu dia. Data de caráter simbólico, porque todo o dia é dia de vocês... e infeliz aquele que não reconhece o seu valor.



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Domingo, Março 07, 2004

Trazemos em nossa bandeira nacional um lema do positivismo. É bem verdade que há inúmeras falhas em seu cumprimento, para tanto basta lermos algum jornal, de âmbito municipal ou estadual, mas muito já se fez e alguma coisa está sendo feita pela nação.
Quando o povo decidiu dar uma oportunidade ao Partido dos Trabalhadores, depositou a esperança remanescente na pessoa de Luis Inácio, que por toda a sua história e experiência de vida fez jus à posição que hoje ocupa. Entre os presidentes que o Brasil já teve, coube a ele o fardo de consertar situações moldadas por décadas. Não que os antecessores, salvo exceções, não mereçam consideração, mas é que para o povo que vive insatisfeito com o andamento das coisas, parecia não ver em mais no que e em quem acreditar.
Enfim, Lula tornou-se o Chefe do Executivo e conduzirá o Governo provavelmente por mais sete anos. Recentemente o PT sofreu seu primeiro grande arranhão com o escândalo do Waldomiro, que levou à edição da Medida Provisória para fechamento das casas de bingo. Sem entrar no mérito do desemprego, não se pode permitir que um comportamento alheio macule pessoas idôneas. A CPI certamente apontaria todos os personagens principais e figurantes, viabilizando a aplicação das correspondentes sanções.
O PT mudou bastante seu discurso, mas não deveria agir para evitar a Comissão. Se a ética foi ferida, que a falta fosse a fundo apurada, mas o problema é o lixo que vem junto com a falha descoberta. Todo mundo, assim como os partidos, possui um lado problemático, todavia é inaceitável a contaminação para toda a esfera política, seja para atingir Lula ou José Dirceu, mesmo porque para os especuladores e oposicionistas isso é um prato cheio.
Não se sabe ao certo o termo final da história, mas tudo deveria ser feito visando ao bem-comum, de modo que se efetivamente assim tivesse acontecido, o país teria uma imagem mais importante no cenário político mundial. A população poucas vezes percebe os interesses em jogo, mas esperança continua, trêmula e constante, para que haja ordem e seja feito progresso.



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Terça-feira, Março 02, 2004

Uma antiga professora, odiada por muitos, mas um tanto quanto exótica para outros, dizia que televisão atrofiava o cérebro. Devo ter falado sobre isso em outra ocasião, mas a irônica frase se já não é, está bem próxima de se tornar um axioma. De fato são poucas as coisas aproveitáveis. Se reuníssemos o que tem de bacana em cada canal aberto, talvez fosse possível obtermos um produto louvável. Para não chatear os fãs da caixa mágica, ou melhor, do grande veículo informador e, por que não, manipulador da massa, não convém jogar lama no ventilador... mesmo porque tem gosto para tudo e a audiência é bastante fracionada. Encontra-se de fãs de comercial de cerveja e novelas, aos apaixonados por pegadinhas armadas e do apelidado zoológico humano.
Um canal com entrevistas, desenhos, seriados e jornais talvez vingasse. Pelo menos a Cultura tentou... o Canal 21 está tentando... acho que para as crianças e para o público jovem seria mais educativo. Mas enfim, quem tem juízo que selecione aquilo que compense, aquilo que instrua ao menos um pouquinho, que faça valer o tempo despendido... não somente com a televisão, como também em relação às situações as quais nos deparamos na vida, porque o tempo não volta e não se compra, o que faz dele um tesouro inestimável.



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Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004

Por mais repulsivo que pareça, há casamentos gays sendo celebrados diariamente. Não por aqui, mas em São Francisco, famosa cidade norte-americana conhecida por ser reduto de homossexuais.
Trata-se de um assunto extremamente delicado, mesmo porque lida com o direito de liberdade do indivíduo, bem como a dignidade humana, pilares do Estado Democrático de Direito. A polêmica está na questão ética, em que se discute a moralidade de tais uniões e sua repercussão na sociedade conservadora. É fácil notar a rapidez com que os valores estão se transformando, mas o difícil é compreender porque se caminha nesse sentido. Não vejo com bons olhos a deturpação da lei natural, ou melhor, da ordem perfeita que Deus estabeleceu. É o mais sensato.
Nos Estados Unidos, cada Estado pode legislar à sua maneira determinados assuntos, sendo que nenhum havia liberado tal matrimônio. O estranho foi o fato de um prefeito ter liberado a união, já que deve se sujeitar à lei estadual, no caso a da Califórnia, o que não ocorreu. A verdade é que a poeira foi novamente levantada e vai voar ainda mais quando outro Estado da federação der o braço a torcer.
Felizmente, para nós o casamento ainda consiste na união realizada nos termos da lei entre um homem e uma mulher com a finalidade de constituir família. Que permaneça assim o conceito, e que não venhamos a copiar modelos de comportamento e de legislar estrangeiros.



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Terça-feira, Fevereiro 24, 2004

O mês de fevereiro possui uma peculiaridade interessante. Não se trata de uma data especial e nem homenagem a alguém, mas sim um período reservado para uma festa popular.
Na verdade, analisando por um prisma imparcial, percebe-se que o buraco é mais embaixo. Observando-se a comemoração do nada, isto porque a festa não tem conteúdo, senão uma tradição, encontramos de cara uma fachada colorida e bastante enfeitada, camuflando as dificuldades sociais.
Na fantasia cada um esconde seus problemas e na máscara suas preocupações. Na música, procura-se de alguma forma abafar os questionamentos; na bebida as mágoas e no sexo o êxtase descompromissado.
Tirando o feriado para descansar, o carnaval não acrescenta nada à pessoa.
Enquanto o povo se esbalda na farra, o capeta se diverte, as manobras ilícitas são menos vigiadas e o Brasil oh...



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*Esse layout é uma criação exclusiva de Bruno Maximus*